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São Paulo é a capital mais sedentária do Brasil

Cidade que completa 471 anos neste sábado (25) têm o menor percentual de praticantes de atividade física do país

Por Larissa Beani
25 jan 2025, 06h00
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Cidade de São Paulo comemora 471 anos de sua fundação neste sábado (25) (Matheus Natan/Pexels)
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Entre um corre e outro, está difícil incluir a atividade física na rotina dos paulistanos. Dos 8,9 milhões de habitantes da cidade de São Paulo, apenas 51,1% fazem exercícios regularmente. Ou seja, 4,56 milhões movimentam-se em seu dia a dia, enquanto 4,34 milhões estão inativos. É o maior contingente de sedentários do país.

Os dados partem do inquérito Vigitel de 2023, disponível no Observatório da Saúde Pública (OSP) da Umane, uma organização da sociedade civil que fomenta iniciativas em prol da saúde pública.

“A prática regular de exercícios físicos é um elemento central na prevenção de doenças, na melhoria da qualidade de vida e na redução de custos com tratamentos médicos no longo prazo”, afirma Thais Junqueira, superintendente geral da Umane e especialista em administração pública.

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Por isso mesmo, a inatividade deve ser combatida não apenas com iniciativas individuais, mas também como parte do planejamento urbano. “Os governos municipais têm um papel estratégico na promoção da atividade física entre suas populações, e esse esforço deve ser encarado como uma prioridade em termos de saúde pública”, defende Junqueira.

Ainda sobre as capitais mais inativas do Brasil, Salvador está percentualmente empatada com São Paulo, com apenas 51,1% de sua população praticando atividade física. Teresina (PI) é a terceira capital mais sedentária, com 51,3%.

No topo da lista, está Florianópolis (SC), a cidade com maior taxa de habitantes ativos: 65,3%. A capital catarinense é seguida por Vitória (ES), com 64,5%, e pelo Distrito Federal (DF), com 63,1%. 

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Segundo avaliação de Junqueira, para estimular ainda mais a população, é necessário que os governos municipais invistam mais segurança pública, áreas verdes e transporte, especialmente em regiões periféricas. Isso inclui a construção de espaços de convivência e melhorias na iluminação e na limpeza urbana. 

+ Leia também: Trabalho sedentário: quais são os riscos para a saúde e como contorná-los?

Treinos à paulista

Apesar de ainda ter uma grande parte da população inativa, a cidade de São Paulo pode comemorar o fato de, hoje, ter mais da metade de sua população ativa. Em 2016, somente 44,8% eram adeptos da atividade física.

As mulheres foram as que mais mudaram de hábitos. Em 2016, só 37,5% delas faziam exercício. Já em 2023, 49,4% passaram a se movimentar mais. Entre os homens, a porcentagem permaneceu estável, por volta dos 53%.

Avaliando por faixa etária, os mais velhos se tornaram mais ativos e os mais jovens, ociosos. Entre pessoas de 65 anos ou mais, as taxas passaram de 36% para 41,9%. Dos 55 aos 64, foi de 39,3% para 45,7%. E, entre 45 e 54 anos, de 38,4% para 50,6%.

As taxas entre os mais jovens ainda são mais altas, mas diminuíram ao longo dos anos. Aqueles com 25 a 34 anos passaram de 53,9% para 53%. Os com 18 a 24 anos, de 58,1% para 56,6%.

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+ Leia também: É seguro fazer atividade física em dias poluídos?

Maus hábitos paulistanos

Além da atividade física insuficiente, boa parte dos moradores da cidade de São Paulo também sofre com o abuso de álcool, o tabagismo e a má alimentação.

Ainda segundo análise dos dados da Vigitel, houve um aumento no consumo abusivo de álcool na capital paulista. Em 2016, 14,5% dos paulistanos bebiam excessivamente. Em 2023, a taxa foi para 16,7% — 22,4% dos homens e 11,9% das mulheres têm uma má relação com bebidas alcoólicas.

O fumo em São Paulo diminuiu, mas continua entre os percentuais mais altos. Com 10,3% de fumantes em 2023, a cidade tem a sétima maior taxa de tabagismo do país entre as capitais. Em 2016, o índice era de 13,3%.

Em relação à alimentação, em 2023, 17,8% da população comeu cinco ou mais grupos de ultraprocessados regularmente. O número também vem reduzindo, já que em 2018 chegava a 19,1%.

A diminuição é puxada principalmente pela mudança de hábitos entre as mulheres: antes, 17,2% comiam tantos ultraprocessados; já em 2023, a taxa baixou para 13,1%. Entre os homens, o consumo cresceu de 21,4% para 23,4%.

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+ Leia também: Por que você deve evitar o consumo de alimentos ultraprocessados

Riscos do sedentarismo

De acordo com um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que 1,8 bilhão de pessoas não praticam atividade física nos níveis recomendados pela entidade e têm maior risco de adoecer por conta disso. 

O sedentarismo está associado ao desenvolvimento de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes tipo 2; acidentes cardiovasculares, como infarto e AVC; demência e até mesmo alguns tipos de câncer.

 “A falta de atividade física é uma ameaça silenciosa à saúde global e contribui significativamente para o aumento das doenças crônicas”, afirmou Rüdiger Krech, diretor de Promoção da Saúde da OMS, em comunicado. “Precisamos encontrar formas inovadoras de motivar as pessoas a se manterem mais ativas, levando em consideração fatores como idade, ambiente e cultura.”

O artigo da OMS foi publicado em 2024 no periódico The Lancet Global Health.

A reportagem “Horas sentado, anos perdidos”, matéria de capa da edição 509 (publicada em novembro de 2024), chama a atenção para o aumento de estudos sobre os malefícios do comportamento sedentário — até mesmo para quem já pratica atividade física.

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A OMS indica que adultos pratiquem, no mínimo, 150 minutos de atividade física de frequência moderada ou 75 minutos de exercícios de intensidade vigorosa por semana.

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