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Controlar dopamina é a nova moda das redes sociais. Faz sentido?

Tentativa de regular os níveis do hormônio veio como resposta aos estímulos das redes sociais, mas é preciso entender direito como ele funciona

Por Maurício Brum
20 fev 2025, 15h30
dopamina-neurotransmissor-felicidade-jejum-controle
Jejum de dopamina busca evitar os excessos causados pelas redes sociais (rawpixel.com/Freepik)
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De tempos em tempos, a dopamina volta ao centro das tendências da internet. Conhecida como o “hormônio da felicidade” (um título que, vale dizer, é impreciso), ela se tornou alvo de preocupação de especialistas pela forma como é tratada nas redes sociais.

Diversos perfis distorcem informações sobre sua liberação em nosso organismo. Como consequência, também surgiram “especialistas” em bem-estar defendendo a necessidade de controlar a dopamina.

Antes de esclarecer essa história, vale entender melhor sobre as funções da dopamina, e por que a ideia de fazer um “jejum de dopamina” não deve ser encarada literalmente.

O que, afinal, a dopamina faz?

A dopamina é um neurotransmissor fundamental para a nossa sobrevivência.

Apesar da fama como “hormônio da felicidade”, sua função não é tão direta assim: mais do que seu papel no sistema de prazer e recompensa, a dopamina também é importante para regular nossa vontade de seguir buscando o que é prazeroso.

Trocando em miúdos, ela, sozinha, não determina a nossa felicidade. Isso depende de uma interação complexa com outros neurotransmissores que também regulam o que fazemos no dia a dia. Mas a dopamina é importante para “motivar” a fazer alguma coisa que nosso cérebro já registrou como sendo uma fonte de prazer.

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+Leia também: Cada vez mais reféns de remédios: um papo com a autora de “Nação Dopamina”

Historicamente, essa função ajudou os seres humanos a seguir executando as tarefas necessárias para viver em ambientes que muitas vezes eram hostis.

Em um exemplo básico: não bastava ficar feliz em ter um alimento diante de si, era preciso repetir as ações para obtê-lo — algo que, com o tempo, extrapolou o próprio instinto de sobrevivência e redundou em técnicas cada vez mais complexas para garantir que aquele conforto básico estivesse disponível.

Qual a lógica do jejum de dopamina?

Mas, se a dopamina é tão importante, por que tanta gente entrou na onda do dopamine fasting? O jejum de dopamina é uma dessas modas surgidas no Vale do Silício que acabaram se popularizando muito além do círculo onde começaram.

E a explicação está justamente na tecnologia: empresas do ramo entenderam que é possível “manipular” os mecanismos do nosso cérebro regulados pela dopamina, oferecendo pequenas recompensas que nos fazem querer usar mais e mais os seus produtos (como sites e apps).

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Pense nas redes sociais: a forma como os algoritmos entregam conteúdos em sua linha do tempo não é casual. Pelo contrário, é bem pensada de modo a estimular neurotransmissores que vão fazer com que você queira seguir rolando a tela para ver o próximo vídeo, post, foto ou o que for – de modo que você não vá para outro aplicativo nem desgrude do celular.

Afinal, quanto mais usuários frequentando aquele espaço virtual, mais as empresas de tecnologia lucram com os dados coletados e a publicidade que volta e meia aparece para você.

É quase uma trapaça biológica: mesmo quando você tem consciência de que deveria ficar menos online e chega a se sentir desconfortável com algo que aparece no seu feed, basta surgir algum conteúdo mais do seu agrado que a dopamina volta a te convencer que vale seguir ali mais um pouquinho.

Os defensores do “jejum”, assim, argumentam que é preciso se afastar desse contexto que acaba gerando problemas no longo prazo.

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+Leia também: À caça de dopamina: quando a busca pelo prazer gera sofrimento

Mas… o jejum funciona?

Aqui a resposta se torna mais ambígua: depende. Pensando em termos literais, não existe jejum de dopamina — o neurotransmissor é essencial para o bom funcionamento do seu organismo. Não há vida nem saúde sem ele.

Mas a verdadeira ideia por trás do jejum não é abrir mão completamente do hormônio, e sim reduzir hábitos danosos que fazem uso dos seus “poderes” para se perpetuar.

Nesse caso, pode funcionar: com muita disciplina, é possível reduzir aos poucos a sua exposição a telas, redes sociais e outros conteúdos que não necessariamente fazem bem — mas enganam seu cérebro o suficiente ao explorar as descargas de neurotransmissores.

Se o seu objetivo vai por esse caminho, vale fazer a tentativa. É bem possível que os resultados logo sejam sentidos. Só não caia na ilusão de que é possível ou desejável viver sem dopamina alguma.

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