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Cicatriz em L no lifting de mamas: o que diz a ciência sobre o “decote livre de marcas”

A escolha da técnica de mastopexia considera a posição das cicatrizes para um melhor resultado estético e funcional das mamas

Por Mariana Fernandes Zalli, cirurgiã plástica, via Brazil Health* 16 set 2026, 12h09
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Posição da cicatriz é importante para um bom resultado da mastopexia (Ilustração: Thuylars/Veja Saúde)
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Quando uma mulher procura uma mastopexia, é natural que suas primeiras preocupações estejam relacionadas ao formato das mamas, à flacidez, ao volume e à posição que elas terão depois da cirurgia. Mas existe outra questão que merece fazer parte dessa conversa desde o início: onde ficarão as cicatrizes?

Toda cirurgia deixa marcas. Portanto, falar em técnicas que buscam reduzi-las não significa prometer uma cirurgia sem elas, mas planejar sua localização e extensão de maneira que sejam compatíveis com o tratamento necessário e, sempre que possível, menos aparentes.

Na mastopexia, diferentes desenhos de incisão podem ser utilizados. Entre eles estão as cicatrizes periareolar, vertical, em T invertido e em L. A escolha não deve seguir simplesmente a preferência da paciente ou do cirurgião.

Ela depende das características de cada mama, do grau de flacidez, da quantidade de pele, do volume mamário e da remodelação que será necessária.

Quando a cicatriz também entra no planejamento

Uma das particularidades da cicatriz em L é não apresentar o prolongamento horizontal medial existente na cicatriz em T invertido. Na prática, isso pode ser especialmente interessante na região mais próxima ao centro do tórax, justamente aquela que tende a ficar exposta quando a mulher usa determinadas roupas e decotes.

É nesse sentido que podemos falar em um “decote livre de cicatriz”: não porque a mastopexia deixe de produzir marcas, mas porque se evita uma cicatriz horizontal avançando medialmente pelo sulco mamário. A cicatriz permanece ao redor da aréola, segue verticalmente e se prolonga lateralmente no sulco, formando o desenho semelhante à letra L.

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Esse aspecto ganhou respaldo recente na literatura científica. Uma revisão sistemática com meta-análise publicada em 2026 no periódico Aesthetic Plastic Surgery avaliou 12 estudos, reunindo 3.130 pacientes submetidas a cirurgias mamárias com cicatriz em L.

A satisfação agrupada das pacientes foi de 92%, e as taxas de várias complicações analisadas foram baixas. Os próprios pesquisadores, entretanto, ressaltam que ainda são necessários estudos prospectivos para confirmar os resultados em longo prazo.

Isso é importante porque nenhuma técnica deve ser apresentada como universalmente superior. O objetivo é selecionar a abordagem mais adequada para cada anatomia e para aquilo que será necessário corrigir.

+Leia também: Seios não são gêmeos: até onde a cirurgia corrige a assimetria das mamas?

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Mais do que um desenho na pele

Outro ponto importante é que o resultado da mastopexia não depende apenas da cicatriz externa. Na abordagem multiplanos, o planejamento considera separadamente pele, tecido glandular e plano muscular.

A literatura já descreve a mastopexia multiplanos com cicatriz em L como uma estratégia que permite individualizar a cirurgia de acordo com esses diferentes componentes anatômicos. Um estudo publicado na Plastic and Reconstructive Surgery acompanhou uma série de 632 mulheres submetidas à técnica.

Essa possibilidade de trabalhar diferentes estruturas é justamente o que torna a técnica versátil. Há pacientes com maior excesso de pele, outras com alterações predominantemente glandulares, assimetrias ou perda de sustentação.

Em determinadas situações, também pode haver indicação de implante mamário. O planejamento precisa responder a essas diferenças, em vez de tentar encaixar todas as pacientes em um único modelo cirúrgico.

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Estudos mais recentes também têm investigado estratégias internas de estabilização do tecido mamário associadas à mastopexia multiplanos, buscando maior sustentação do parênquima ao longo do tempo. São resultados que ampliam a discussão sobre a cirurgia para além da quantidade de pele retirada ou do tamanho da cicatriz.

Por isso, uma consulta bem conduzida deve incluir uma conversa clara sobre formato, volume, cicatrizes, expectativas e limitações. Fotografias, exame físico e características individuais da pele e das mamas ajudam a definir o planejamento.

Mais do que buscar a menor cicatriz possível, a cirurgia plástica moderna deve procurar a cicatriz necessária, bem posicionada e adequada ao resultado que se pretende alcançar. Na mastopexia, pensar no decote e na localização das marcas faz parte dessa individualização.

*Mariana Fernandes Zalli é cirurgiã plástica e membro da Brazil Health.

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(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)

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