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Doença de Crohn: o que é, o diagnóstico, os sintomas e o tratamento

Caracterizada por uma inflamação grave no trato gastrointestinal, a doença de Crohn não tem cura, mas é possível aliviar os sintomas e ter qualidade de vida

Por Fabiana Schiavon 23 ago 2021, 19h27 | Atualizado em 10 abr 2023, 16h44
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Doença de Crohn acomete o intestino, mas pode gerar repercussões fora do órgão. (Fonte: Gustavo Arrais/SAÚDE é Vital)
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A doença de Crohn é uma inflamação grave no trato gastrointestinal – que vai da boca até o ânus –, mas afeta com mais frequência o íleo terminal (parte inferior do intestino delgado) e o cólon (parte central do intestino grosso).

A síndrome está no grupo das doenças inflamatórias intestinais (DII) junto com a retocolite ulcerativa.

“Ela é capaz de acometer qualquer órgão do corpo por causa das manifestações extra-intestinais, como dores articulares, artrite, feridas na pele, além de lesões oculares, no fígado, no pâncreas e até no pulmão. Tromboseanemia também podem ocorrer”, descreve o coloproctologista Carlos Sobrado, membro titular e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBPC). Segundo o médico, inclusive há a possibilidade de essas inflamações migrarem de região do corpo.

“Cerca de 30% a 40% dos pacientes possuem algumas dessas queixas. Então, é importante buscar o tratamento para melhorar os sintomas de Crohn e também das outras enfermidades”, esclarece o coloproctologista.

Principais sintomas da doença de Crohn

Os sintomas se assemelham aos de outras doenças que afetam o intestino. Confira:

  • Diarreia
  • Cólica abdominal
  • Perda de apetite e emagrecimento
  • Às vezes, há febre e sangramento retal
  • Aftas frequentes,  flatulência excessiva, dores articulares e manchas vermelhas na pele também podem ter conexão com a doença

Na presença desses sintomas, é fundamental buscar a avaliação de um especialista.

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Até porque o diagnóstico não é tão simples assim e a doença pode ser um fator de risco para o desenvolvimento do câncer no órgão.

As causas da doença de Crohn

Acredita-se que a síndrome seja decorrente de uma desregulação do sistema imunológico. Outros fatores, como genética, condições da microbiota intestinal, qualidade da dieta e infecções prévias, também podem dar sua contribuição.

“Quem tem histórico de Crohn na família possui maior risco de desenvolver o quadro. Trata-se de uma doença poligenética, ou seja, vários genes estão envolvidos”, informa Sobrado.

“A verdade é que existem muitos estudos, mas estamos longe de boas explicações sobre as causas exatas”, completa.

A síndrome também é mais comum em quem tem disbiose, que é um desequilíbrio na flora intestinal, e entre tabagistas.

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Cerca de 60% a 70% dos diagnosticados estão entre os 20 e 40 anos de idade. No Brasil, não há dados que consigam mensurar a incidência de Crohn de forma homogênea.

Em geral, os números são restritos a determinadas regiões do país. A prevalência da DII no Estado de São Paulo, por exemplo, é de 52,5 casos a cada 100 mil habitantes, sendo que 53,8% são portadores de retocolite e 46,2%, de Crohn.

+LEIA TAMBÉM: Doença inflamatória intestinal: o controle começa na atenção aos sintomas

Como se diagnostica essa doença gastrointestinal

Como comentamos, detectar a doença depende de uma avaliação complexa.

Além de listar os sintomas, a pessoa pode passar por uma gama de exames clínicos e laboratoriais. Antes de chegar a uma resposta concreta, é preciso descartar outros males semelhantes.

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“Um processo inflamatório pode levar a outras enfermidades, como a colite nervosa. Em caso de fístolas no ânus, há probabilidade de ser Crohn, mas não exclui a chance de se tratar de tuberculose, micose ou qualquer outra doença inflamatória do intestino, por exemplo”, conta Sobrado.

 

doenca de crohn
A Doença de Crohn pode afetar todo o organismo, mas dá para controlar seus sintomas. (Foto: Alex Silva/SAÚDE é Vital)

O tratamento da doença de Crohn

Ter uma visão holística do paciente é o mais importante no tratamento da doença de Crohn, segundo Sobrado.

Como não há cura, é preciso aliviar todos os sintomas, inclusive as manifestações extra-intestinais.

“É um paciente que precisa passar por uma consulta demorada e contar com o auxílio de psquiatra, nutricionista e dermatologista. A abordagem deve ser multidisciplinar”, resume o coloproctologista.

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Com o diagnóstico em mãos e a indicação certeira de medicamentos, é possível ter uma vida normal. Na alimentação, é recomendado evitar comidas gordurosas, leite e glúten durante as crises, além de mastigar bem os alimentos.

“Hoje, há boas drogas que ajudam o indivíduo a ter qualidade de vida e uma dieta menos restritiva”, avisa o médico.

Seguir uma rotina saudável, recomendação feita a todos, é a basicamente a mesma filosofia passada a uma pessoa diagnosticada com Crohn.

“Comer  e dormir bem, não ingerir álcool nem fumar, praticar exercícios físicos e evitar a obesidade fazem parte da lista de hábitos importantes”, elenca Sobrado.

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