Relâmpago: Revista em casa a partir de 10,99

Gravidez na adolescência: 5 pontos para refletir sobre ela

Cerca de 12% dos partos no país são de meninas de até 19 anos. Saiba o que é essencial e eficaz para evitar uma gestação nesse período

Por Larissa Beani
Atualizado em 12 fev 2025, 18h13 - Publicado em 12 fev 2025, 18h00
gravidez-gestacao
Oportunidades de estudo e emprego são fundamentais para evitar gravidez na adolescência (rawpixel.com/Freepik)
Continua após publicidade

No Brasil, uma a cada oito gestantes são crianças ou adolescentes. Segundo dados do DataSUS, em 2023 foram registrados quase 290 mil partos entre jovens de 15 a 19 anos e 13,9 mil entre meninas de 10 a 14 anos. O total, que supera 300 mil casos no ano, equivale a 12% de todos os nascimentos no país.

“É uma situação de vulnerabilidade física, psíquica e social, mas que pode ser prevenida com medidas tomadas em conjunto com os próprios jovens, suas famílias e os profissionais que estão em contato com eles no dia a dia”, afirma Vitor Henrique de Oliveira, ginecologista (SP) e consultor da Libbs Farmacêutica.

Mudar esse cenário envolve ações multidisciplinares. “Precisamos pensar em um tripé: saúde, educação e toda a rede civil que está ao redor dos adolescentes. Esse conjunto deve trabalhar em prol da prevenção e também, quando acontece uma gravidez, do acolhimento e não julgamento desses jovens”, afirma Oliveira.

A seguir, confira cinco passos importantes para evitar e refletir sobre a gravidez na adolescência.

+ Leia também: Gravidez precoce corresponde a 60% das internações de meninas

1. Garantir oportunidades de futuro

Uma das principais ações para evitar a gravidez na adolescência é assegurar que garotas e garotos tenham oportunidades de estudo e de emprego, e que percebam o valor disso a longo prazo.

“Nesse sentido, até mesmo iniciativas de igualdade salarial e ações afirmativas no mercado de trabalho beneficiam, mesmo que indiretamente, a prevenção da gravidez na adolescência”, explica Oliveira, mais conhecido como Vitor Maga nas redes sociais.

As oportunidades devem estar à mão especialmente de adolescentes de famílias de baixa renda. Jovens mais pobres tem até cinco vezes mais risco de engravidar do que aquelas de famílias ricas. Além disso, sete a cada dez adolescentes grávidas são negras.

Continua após a publicidade

Baixa escolaridade e histórico familiar de gravidez na adolescência são outros fatores de risco que devem receber atenção.

+ Leia também: Gravidez na adolescência diminui, mas cenário ainda preocupa

2. Educação sexual é fundamental

Por aqui, segundo o Ministério da Saúde, os jovens costumam ter a sua primeira relação sexual com, em média, 14,9 anos. Já de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um terço dos adolescentes de 13 a 15 já fizeram sexo. 

Por isso, nesta fase, é preciso dar orientações aos jovens a respeito da prevenção de gestações e de também de infecções sexualmente transmissíveis (IST), para que eles tomem decisões conscientes e responsáveis sobre sua sexualidade.

Ao contrário do que muitos acreditam, a temática não estimula os jovens a iniciarem a vida sexual mais cedo. “É uma tática de prevenção de violência, abuso e assédio, além de prevenir doenças e gravidez indesejada”, explica o ginecologista.

Segundo o médico, é preciso levar as dúvidas, questões e percepções do adolescente sobre o assunto em consideração na hora de orientá-los sobre o tema.

Continua após a publicidade

“É uma fase em que os hormônios estão à flor da pele e a tendência a ter relações sem planejamento algum é muito grande quando não se tem orientação de familiares, professores ou profissionais da saúde”, destaca Oliveira. “É importante ter um olhar ético, consciente e profissional para guiá-los.”

+ Leia também: “É mito que a educação sexual estimule a sexualidade precoce”

3. Meninos também precisam ser orientados

As meninas não devem ser as únicas a serem responsabilizadas por evitar uma gestação. Para que o sexo seja verdadeiramente seguro, toda a geração deve estar bem informada e ter perspectivas de um futuro melhor.

“Oportunidades de estudo, emprego e orientação são válidas para todos os gêneros”, ressalta o médico. “Precisamos trabalhar com os homens a prevenção de violências e conscientização de que eles também são responsáveis pelo planejamento familiar.”

4. Abstinência não é um método eficaz

Oliveira enfatiza que a abstinência não é um método eficaz. “Isso está bem consagrado na literatura. Uma vez que a pessoa tenha uma única relação, a abstinência já falhou. Então, é preciso pensar em métodos com os quais eles se sintam confortáveis e protegidos ao quando optarem por ter uma atividade sexual”, afirma.

Para evitar uma gravidez, é essencial usar métodos anticoncepcionais e isso deve ser discutido com os adolescentes. Para as meninas, há muitas opções, como camisinha, pílulas, diafragma e DIU.

Continua após a publicidade

Para os meninos, o principal método é o preservativo, que é também a única opção capaz de prevenir ao mesmo tempo gravidez e transmissão de IST. É um elemento essencial para o sexo seguro e é distribuído gratuitamente em unidades de saúde.

+ Leia também: Métodos contraceptivos: conheça os mais usados

5. Maior risco à saúde

Além do impacto social, a gestação nessa fase da vida também está relacionada a maiores complicações de saúde. A adolescente tem maior risco parto prematuro, aborto espontâneo, pré-eclâmpsia, depressão pós-parto e morte materna e infantil.

Segundo um estudo inédito realizado por Planisa e DRG Brasil, empresas de gestão e análise de custos hospitalares, meninas grávidas entre 12 e 18 anos têm mais IST e sofrem efeitos adversos mais graves do que as mulheres que se tornam mães na fase adulta.

O estudo avaliou dados de 442 hospitais públicos entre 2022 e 2024, incluindo mais de 630 mil internações. Nesse conjunto, 3,36% das gestantes adolescente tinham sífilis, contra 1,61% das adultas.

Além disso, 21,63% das jovens tiveram eventos adversos e 6,21% foram graves. Enquanto isso, a prevalência entre mulheres adultas foi de 13,38% e 4,31%, respectivamente.

Continua após a publicidade

Estima-se que o gasto com internações de por partos de adolescentes de 12 a 18 anos tenha chegado a R$ 254,5 milhões neste período.

Compartilhe essa matéria via:

 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
Apenas 5,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 59% OFF

Impressa + Digital

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
A partir de 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
Pagamento único anual de R$71,88, equivalente a R$ 5,99/mês.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.