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Avanços na cura do câncer trazem novas esperanças na luta contra a doença

O Dia Mundial de Combate ao Câncer, celebrado nesta terça-feira, destaca a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do agravo

Por Paulo Hoff, médico oncologista*
4 fev 2025, 05h00
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No Brasil, 60% das pessoas conseguem eliminar o câncer (Andy Roberts e Santje09/Getty Images)
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O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que 740 mil brasileiros serão diagnosticados com a doença em 2025. A expectativa é de que, num futuro próximo, o contingente de pessoas afetadas ultrapasse um milhão de novos casos por ano.

Uma notícia ainda mais preocupante é que parte importante desses pacientes terão menos de 50 anos, confirmando uma tendência identificada na última década.

A ciência ainda investiga a causa dessa mudança no cenário epidemiológico, mas suspeita-se que esteja associada à poluição e a mudanças no estilo de vida, incluindo sedentarismo, obesidade, consumo de alimentos ultraprocessados e alterações no bioma intestinal, entre outros.

Apesar desse cenário desafiador, também temos o que celebrar nesta terça-feira, 4, Dia Mundial de Combate ao Câncer. A começar pelo fato de que, no Brasil, 60% das pessoas conseguem eliminar a doença. Em países mais avançados, como os Estados Unidos, a taxa de cura chega a quase 70%.

+ Leia também: Dicionário do câncer: o que é regressão, remissão, seguimento e cura

Um fator importante nesses resultados alentadores é o aumento na disponibilidade de exames preventivos, que detectam o câncer em estágios iniciais, onde a cura é mais frequente.

Também vimos o desenvolvimento de novos tratamentos, mais específicos que as modalidades tradicionais, incluindo a imunoterapia, as terapias celulares e os anticorpos monoclonais.

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A imunoterapia é particularmente importante para alguns tumores que antes exigiam abordagens complexas. O tratamento biológico aumenta a eficiência natural do sistema imunológico do próprio paciente, que passa a combater as células cancerígenas, da mesma forma que o faz com bactérias ou vírus.

O uso da estratégia, que teve eficácia inicialmente comprovada no tratamento de melanomas, um câncer agressivo de pele, tem se expandido cada vez mais.

Recentemente, um estudo liderado pelo grupo do Hospital Memorial Sloan Kettering, de Nova York, mostrou que a imunoterapia foi capaz de curar indivíduos com câncer colorretal, sem necessidade de cirurgia ou radioterapia. Todos os pacientes tinham tumores com um desarranjo molecular que predispõe à formação do câncer e indicam bons alvos para a imunoterapia.

Outros estudos preliminares têm confirmado esses resultados, mudando o paradigma de terapia desses tumores. O novo tratamento é muito bem-vindo, porque assim o paciente não terá de fazer a cirurgia para a ressecção do tumor, e não corre o risco de precisar de uma bolsa de colostomia.

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Cabe ressaltar que a imunoterapia ainda não é indicada para todos os tipos de câncer e está em processo de incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS) para poucas indicações. Será fundamental discutirmos como sociedade os mecanismos que poderão fazer com que esses e outros avanços terapêuticos cheguem à rede pública de maneira a beneficiar a todos os brasileiros.

+ Leia também: Má nutrição atrapalha o tratamento do câncer

Foco na prevenção

Para se evitar o câncer, é vital evitar o descuido no acompanhamento médico.

A mulher, por exemplo, deve começar a consultar o ginecologista a partir dos 18 anos ou até antes, se já iniciou sua vida sexual. A mamografia deve ser feita a partir dos 40 anos.

Para ambos os sexos, recomenda-se a colonoscopia ou o exame de sangue oculto nas fezes a partir dos 45 anos. Tão logo apareçam nódulos, alterações intestinais, sangramentos e perda de peso inexplicáveis, o ideal é procurar ajuda médica.

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Pacientes com familiares próximos que tenham tido câncer devem discutir com seus médicos quando e como iniciar os exames de rastreio.

Com a prevenção e os avanços no arsenal terapêutico é possível que, no futuro, o câncer continue existindo, mas cada vez mais como uma doença curável, ou no mínimo controlável, tornando-se uma doença crônica.

*Paulo Hoff é médico oncologista, presidente da Oncologia D’Or, professor titular da disciplina de oncologia clínica do Departamento de Radiologia e Oncologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e membro pregresso do conselho diretor da Sociedade de Clínica Oncológica Americana (ASCO).

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