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Alimentação natural é melhor do que ração? 5 pontos sobre a dieta dos pets

Tutores devem estar atentos tanto ao rótulo dos alimentos prontos quanto aos ingredientes caseiros que vão na comida de cães e gatos

Por Larissa Beani
Atualizado em 13 jan 2025, 11h54 - Publicado em 13 jan 2025, 11h44
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Alimentação natural é opção para variar a dieta dos pets (Gayatri Malhotra/Unsplash)
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Os animais de estimação são parte da família e merecem tudo o que há de melhor inclusive quando o assunto é alimentação. Mas uma alimentação natural, feita em casa, é melhor do que a ração encontrada no mercado?

Bom, depende.“Não há uma resposta simples para isso”, afirma Thiago Vendramini, professor do Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Produção Animal da Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com o especialista, existem muitos aspectos para se prestar atenção na hora de selecionar o alimento de cães e gatos — tanto ao cozinhar dentro de casa como ao ler o rótulo da embalagem de ração. 

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Além disso, é importante saber o que é, exatamente, uma alimentação natural. A definição pode mudar de uma entidade reguladora para outra, mas, em geral, é chamado “natural” um alimento sem aditivos e pouco processado.

“Na legislação brasileira, o uso do termo ‘natural’ para se referir a um produto para alimentação animal deve apenas ser usado para alimentos cujos ingredientes não sofreram adição de nenhuma substância, submetidos apenas a processamento físico [sem químicos] e não contenham organismos geneticamente modificados”, explica Vendramini.

Isso quer dizer que a comida não precisa ser feita em casa para ser natural. Produtos minimamente processados e com ingredientes bem selecionados também têm sido produzidos pela indústria.

“Há formas de entregar alimentos mais naturais, com texturas e sabores mais variados, e prontos para consumo”, afirma Robson Vivas, médico-veterinário e doutor em ciência e tecnologia de alimentos. “A praticidade e o rigor com a segurança na cadeia de produção são vantagens do processo industrial.”

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Vale destacar que não há grandes estudos comparando a saúde de cães e gatos alimentados com rações industriais ou com comida caseira. Se o intuito for cozinhar para os pets, a origem dos ingredientes, o risco de toxicidade e se há a quantidade adequada de nutrientes para o porte e a idade do pet são alguns fatores que merecem atenção dos tutores na hora de montar o cardápio.

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A seguir, saiba o que avaliar.

1. Processamento e composição do produto

Há formulações de produtos que utilizam parte nobres de carnes, aves e peixes, mas também existem aquelas que usam restos da cadeia de produção agropecuária e são menos nutritivas.

“Por isso, o consumidor deve estar atento aos ingredientes e também se informar sobre os valores de proteína, nutrientes e gordura presentes no produto”, orienta Vivas, que também é diretor de produção da empresa Pet Delícia, de alimentos naturais para animais de estimação. “Na dúvida consulte um veterinário para verificar as necessidade nutricionais específicas do seu pet.”

Para quem gosta de preparar os alimentos para cachorros e gatos, o professor da USP Thiago Vendramini pede que haja uma atenção especial na composição da dieta do pet.

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“Por mais saboroso e atrativo que seja, muitas vezes uma receita tirada da internet ou baseada na alimentação humana pode gerar déficits nutricionais ao animal. Portanto, consulte um especialista para oferecer uma dieta completa”, afirma.

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2. Toxicidade

Antes de preparar a próxima refeição do seu pet, verifique se os ingredientes utilizados são seguros para ele. “Muitos alimentos comuns na nossa dieta podem fazer mal a cães e gatos, porque o organismo deles não consegue metabolizar certas substâncias que, para nós, são inofensivas”, explica Vendramini.

Um exemplo são as plantas do gênero Allium (como o alho, a cebola ou a cebolinha), que agregam muito sabor a nossa comida, mas, para os pets, podem levar a diminuição da oxigenação do sangue e envenenamento. Esses temperos apresentam, entre outros compostos, alicinas, que são tóxicas a animais de estimação.

Adoçantes, cafeína, álcool e frituras também devem ficar fora do cardápio, por apresentarem risco de intoxicação, complicação de doenças crônicas pré-existentes e até mesmo óbito. Confira outros alimentos que devem ser evitados pelo seu pet.

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3. Condições de saúde

Outro ponto a ser considerado é se o animal apresenta alguma condição de saúde que exija cuidados com a alimentação, como obesidade, problemas articulares, problemas cardíacos ou renais.

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Nesses casos, é comum que sejam indicadas dietas coadjuvantes popularmente chamadas de rações medicamentosas ou terapêuticas. 

“Esses produtos não contém medicamentos”, esclarece Vendramini. “O que eles têm são quantidades balanceadas de ingredientes, nutrientes e proteínas que ajudam — e daí o nome ‘coadjuvante’ — a tratar determinada doença”. 

Essas rações industrializadas, feitas sob medida para ajudar pets a perderem peso e controlarem condições crônicas, saem na frente das dietas simplesmente naturais porque têm formulações apropriadas para o combate de cada condição. O tutor deve apenas estar atento à quantidade oferecida ao pet.

Para comprar rações coadjuvantes, não é necessária receita, mas é importante que elas só sejam adquiridas sob recomendação de um médico veterinário.

Cães e gatos saudáveis não precisam de dietas coadjuvantes.

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+ Leia também: Uma ração para cada necessidade

4. Hidratação

Uma das vantagens da alimentação natural é que os ingredientes (carnes, vegetais e frutas) ajudam a complementar o consumo de água dos animais

Rações úmidas e sachês cumprem esse papel e podem fazer parte da dieta de cães e gatos. “Só tenha atenção à quantidade de sódio da porção”, alerta Vivas. O mesmo cuidado deve ser tomado na hora de cozinhar para o bicho.

+ Leia também: Sachê para gatos: entenda por que é tão importante oferecer

5. Força do hábito

Se você quer começar a introduzir uma dieta natural ao seu pet, considere que ele pode simplesmente recusá-la.

“Gatos, em especial, são neofóbicos, ou seja, tem fobia a novidades. Eles podem não se acostumar ou sequer tentar novos tipos de alimento”, diz o veterinário da USP.

A melhor alternativa é oferecer uma dieta variada para o pet desde cedo, para que ele se acostume com diferentes sabores e texturas. “Esse é um hábito que enriquece não só a alimentação, mas também estimula o olfato e pode ajudar a aumentar o laço com o tutor”, conclui Robson Vivas.

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