Síndrome do intestino curto: os desafios de uma doença pouco conhecida
Quadro acomete crianças, adolescentes e adultos e é de difícil diagnóstico por conta do desconhecimento sobre a doença, inclusive entre médicos

A síndrome do intestino curto não está no radar da população, e nem da própria classe médica, mas deveria. Seus efeitos são bem percebidos entre seus portadores, e podem comprometer significativamente a qualidade de vida e a saúde.
O quadro caracteriza-se por uma perda da massa intestinal, que faz com que o corpo não consiga absorver todos os nutrientes, a ponto de seu portador precisar repor vitaminas ou mesmo fazer nutrição parenteral, pelas veias. E pode acontecer em diferentes idades, da primeira infância à vida adulta.
Ele surge quando há uma cirurgia que retira parte do órgão — para tratar um câncer, por exemplo —, depois de acidentes, doenças inflamatórias intestinais, malformações congênitas ou infecções que acometem bebês prematuros.
Trata-se de uma doença rara, que acomete 14 crianças em um milhão, e entre os adultos as estatísticas são mais obscuras, visto que muitos pacientes sequer chegam a ser diagnosticados.
Esse é o tema do episódio do novo episódio do podcast Olhar da Saúde, com a gastroenterologista pediátrica Vanessa Scheeffer, da Santa Casa de Porto Alegre, uma das principais especialistas no tema do Brasil.
Ela destaca que diagnosticar corretamente a síndrome é essencial para estabelecer um tratamento capaz de restaurar a saúde intestinal do paciente. Com as intervenções adequadas, é possível inclusive fazer o intestino voltar a crescer, compensando por meio de reabilitação a porção perdida do órgão.
Vanessa também explica que medicamentos podem ajudar o portador a depender menos da nutrição parenteral e reduzir a indicação de transplante de intestino, procedimento complexo que pode trazer riscos.
Tais fármacos são, entretanto, de custo elevado, que pode chegar aos R$150 mil por mês. “Esses pacientes podem não só sobreviver, mas ter vidas normais”, Ressalta Vanessa.
Clique aqui para assistir ao episódio. Ou, se preferir, escute no Spotify:
O podcast é apresentado pelo endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, fundador do portal Olhar da Saúde, e por Diogo Sponchiato, redator-chefe de VEJA SAÚDE.