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“Dezembrite”: entenda a depressão de final de ano

Para muitas pessoas, o período de festas pode trazer à tona tristeza, angústia e ansiedade

Por Gabriel Bueno
24 dez 2024, 07h30
dezembrite
Sensação de obrigação de celebrar e se alegrar no período de final de ano pode agravar condições de depressão e ansiedade (Freepik/Freepik)
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Enfim, dezembro chegou. E com ele, as festas, reuniões familiares e promessas para o ano novo. Mas para muitas pessoas esse período é sinônimo de tristeza, crises de ansiedade e insônia. 

Essa condição, popularmente apelidada de “síndrome de final de ano” ou “dezembrite“, não é nova. Entretanto, especialistas percebem um crescente impacto do fenômeno na saúde mental da população.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já aponta o Brasil como o país mais ansioso do mundo, e profissionais de saúde mental confirmam que a demanda por ajuda psicológica e psiquiátrica pode aumentar no final de ano.

“É um mês com bastante procura por ajuda, e isso é um desafio porque a maioria dos casos exige mais tempo para tratar”, explica a psicóloga formada pela Universidade Paulista, Beatriz Nascimento. 

Atenção aos sinais 

A “síndrome de final de ano” ainda não representa um diagnóstico oficial. Não há registro do fenômeno no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, mais conhecido pela sigla DSM, documento que dá critérios diagnósticos de desordens psíquicas e emocionais. 

Mas algumas mudanças no comportamento e no humor podem ser comuns para quem sofre com o final de ano. A saber: alterações no padrão de sono – como insônia ou sonolência excessiva –, irritabilidade, episódios de choro e dificuldades de concentração

Outros sintomas podem estar diretamente associados aos eventos do fim de ano, como sensação de sobrecarga, inutilidade e culpa.

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Para muitos, participar de momentos com amigos e familiares pode ser um desafio. O isolamento social é recorrente nessa época, e o esgotamento mental e emocional pode se manifestar por meio de dores de cabeça, fadiga ou problemas digestivos.

Assim, reconhecer esses sinais específicos permite buscar apoio e estratégias de autocuidado antes que os sintomas se agravem.

+Leia também: Síndrome de fim de ano: por que nos sentimos mais melancólicos em dezembro

Por que dezembro pode ser tão desafiador?

O fim de um ano e o início de um novo são motivos para retrospectivas e autoavaliação. Para quem enfrentou perdas, viveu momentos difíceis ou sente que não chegou aonde gostaria durante o ano, relembrar o que passou pode causar frustração e angústia.

Outro fator desencadeador de sentimentos de tristeza e ansiedade no período de festas é a quantidade de confraternizações e encontros com família e amigos. A falta de entes queridos, desentendimentos familiares e a sensação de solidão são agravantes que se tornam ainda mais marcantes no contexto do Natal e do Ano Novo.

A disponibilidade e frequência do consumo de bebidas alcoólicas nesse contexto festivo também pode servir de gatilho para piorar a situação.

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Como lidar com essas emoções?

A principal recomendação é buscar auxílio psicoterápico.

Vale identificar se a “dezembrite” é um quadro passageiro, que emerge apenas no final do ano, ou se o período de festas intensifica uma condição já existente.

De acordo com o Ministério da Saúde, a prevalência de depressão ao longo da vida em território brasileiro está em torno de 15,5%, e o número de crises pode aumentar nesse mês. Portadores de outros transtornos, como a ansiedade, também sofrem. 

“Nesses casos, quando estamos falando de uma pessoa diagnosticada, é importante que haja um respaldo profissional. E aí podemos pensar em uma equipe multiprofissional com psicólogos, psiquiatras, educadores físicos e muitos outros. Cada um, em sua expertise, vai poder contribuir para melhor qualidade de vida do paciente nas épocas festivas ou em outras datas”, explica a psicóloga.

Embora comparecer a celebrações de Natal e Ano Novo possa parecer obrigatório, avalie se esses eventos melhoram ou pioram seu humor. Você não precisa participar de confraternizações que trazem à tona sentimentos ruins.

Já planos e rituais não são obrigatórios. Mas, se você desejar estabelecer metas de ano novo, tente ser realista e ter compaixão consigo mesmo: muitas vezes, criamos objetivos impossíveis que só geram frustração. Procure dividir metas ambiciosas em passos menores. Outra ideia é criar seu próprio tipo de ritual, que faça sentido na sua vida.

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Conflitos mal resolvidos, opiniões divergentes e a convivência forçada com parentes podem gerar tensões nas festas familiares – você pode tentar estabelecer limites ou evitar frequentar lugares que complicam os sentimentos desse período. 

As redes sociais podem ser ambientes que reforçam os sentimentos de tristeza, ansiedade e angústia. Uma indicação, se esse for o caso, é tentar reduzir o uso das redes nesse período, que já costuma ser de maior sensibilidade.

De maneira geral, realizar exercícios físicos, manter uma boa rotina de sono e ter uma rede de apoio próximo são hábitos aliados da psicoterapia não só para atravessar o período festivo, mas para ter uma vida saudável.

Como procurar ajuda

Durante o período de festas, é importante lembrar que os serviços de saúde mental permanecem ativos e prontos para oferecer suporte. Se o clima do fim de ano estiver pesado demais, não hesite em buscar ajuda.

Converse com alguém de confiança e procure o auxílio de um profissional de saúde mental. Você pode buscar atendimento no Sistema Único de Saúde. Se estiver enfrentando uma situação de emergência, busque a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) mais próxima. É possível também recorrer a um hospital. 

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O Centro de Valorização da Vida (CVV) é um serviço gratuito que está disponível 24 horas pelo telefone 188 e também oferece atendimento por chat, nos seguintes horários:

Domingos: 15h às 01h

Segundas-feiras: 08h às 01h

Terças-feiras: 08h às 01h

Quartas-feiras: 09h às 01h

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Quintas-feiras: 09h às 01h

Sextas-feiras: 13h às 01h

Sábados: 13h às 01h

 

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