Virose no litoral: como evitar diarreia e problemas intestinais no verão
Casos de gastroenterite aumentam em cidades de praia, como Guarujá e Florianópolis

Cidades do litoral de São Paulo, como Guarujá e Praia Grande, apresentaram aumento de casos de gastroenterite e diarreia nos últimos dias. Até o momento, a causa não foi totalmente esclarecida. Em Florianópolis (SC), quase 500 pessoas tiveram doença diarreica na primeira semana de 2025.
Os episódios estão sendo classificados como “virose“, já que, em geral, surtos desse tipo estão associados à infecção por diferentes vírus, como rotavírus, norovírus, adenovírus, entre outros agentes.
Os pacientes apresentam sintomas como náuseas, cólica, vômito e diarreia, que tendem a se resolver em cerca de três a cinco dias. Pessoas nos extremos de idade, como crianças e idosos, estão em risco maior de complicações.
Cansaço excessivo, prostração, desidratação, febre persistente e dificuldade para se movimentar e se alimentar são sinais de alerta para a busca por atendimento médico.
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Por que os casos de virose aumentaram?
No verão, é comum que aconteçam mais casos de inflamação intestinal e diarreia aguda. No Brasil, a estação é marcada pelas férias escolares, viagens e consequente aumento da circulação de pessoas.
Nesse contexto, o consumo de alimentos de procedência desconhecida, a falta de higienização das mãos, o condicionamento de comida em temperatura inadequada e o banho de mar em águas poluídas são alguns dos fatores que favorecem a contaminação.
Diante da alta de atendimentos, a prefeitura de Guarujá enviou amostras ao Instituto Adolfo Lutz para análise, cujo processo ainda está em andamento.
Se aventou a possibilidade de que a causa tenha sido uma sobrecarga dos sistemas de esgoto, que resultou em mais poluição no mar.
Mas, em nota, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) negou que o surto de virose tenha relação com a operação da empresa. “Os sistemas de água e esgoto da Baixada Santista estão operando normalmente e são monitorados 24 horas por dia”, afirmou.
O governo de São Paulo, por sua vez, informou que os casos de doença de transmissão alimentar no verão são acompanhados pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e pela secretaria de Saúde do estado.
A pasta orientou que os municípios com aumento de ocorrências realizem investigação epidemiológica e coleta de fezes dentro de cinco dias do início dos sintomas para identificação do agente associado ao surto.
No litoral paulista, a qualidade da água das praias é monitorada pela Cetesb. A situação de cada localidade pode ser conferida no site da companhia ou em aplicativo disponível para download.
À população, o governo recomenda atenção antes de se banhar no mar. Os locais são sinalizados com bandeiras de acordo com a qualidade, com a cor vermelha indicando a condição imprópria.

Rotas de transmissão
O contágio por micro-organismos causadores de diarreia aguda acontece principalmente com a ingestão de água e alimentos contaminados. Outra via de transmissão é o contato com objetos e superfícies, como explica o médico Ralcyon Teixeira, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
“Uma pessoa doente em uma casa, que faça higiene mais precária, como não lavar bem as mãos, pode contaminar ambientes do banheiro ou da cozinha. Nesse caso, a mão pode ser um vetor da infecção para outra pessoa que encoste nos mesmos locais”, resume Teixeira.
Para reduzir as chances de disseminação da doença, é importante manter a boa higienização pessoal e do local.
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Sintomas e complicações
A gastroenterite é associada a incômodos como dores abdominais, náuseas, gases, vômito e diarreia. A intensidade pode variar de uma pessoa para outra.
“Os sintomas mais intensos ocorrem de dois a três dias após o contágio. Depois disso, o indivíduo começa a melhorar. Crianças e idosos são mais suscetíveis, principalmente devido ao risco de desidratação”, frisa o médico.
Vale destacar que nem toda pessoa precisa de cuidados médicos, mas é recomendado observar sinais que podem indicar possíveis complicações.
“Entre os indicativos de piora, estão fatores como urina pouca e concentrada, prostração intensa e fraqueza, dificuldade para levantar da cama, beber água e se alimentar, febre alta e persistente, além de tontura. Nesses casos, é importante buscar o serviço de saúde”, pontua.

Tratamento da virose
O cuidado consiste basicamente no reforço da hidratação. Em quadros graves, pode ser necessário repor o líquido perdido pelas veias.
O tratamento é voltado para alívio dos sintomas, uma vez que não existem medicamentos específicos para combater o quadro. “Usamos remédios para diminuir o enjoo, as cólicas e reduzir um pouco a diarreia, para que a pessoa se sinta melhor e consiga se hidratar”, detalha Teixeira.
O especialista da SBI orienta que a automedicação deve ser feita com cautela, com base em remédios simples e que façam parte da rotina de utilização do paciente.
Entre as opções, estão analgésicos, como dipirona e paracetamol, fármacos para redução do enjoo e para controle de cólicas. “Os compostos que cortam o efeito da diarreia, como a loperamida, devem ser evitados”, alerta.
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Prevenção
Para afastar esse pesadelo, é recomendado o consumo de alimentos bem cozidos e que sejam mantidos em temperatura adequada. Na praia, busque levar lanches preparados em casa e lave as mãos antes das refeições.
Na hora de decidir onde comer, observe a higiene de restaurantes, quiosques, bares, lanchonetes e padarias. Priorize a ingestão de água filtrada e evite gelos, sucos, raspadinhas ou mates de procedência desconhecida.
“Tome bastante cuidado ao cuidar de crianças com diarreia, lavando as mãos com água e sabão. Deixe o ambiente bem limpo em casa, principalmente o banheiro”, conclui.