Por que a atividade física é fundamental contra o câncer de mama
Exercícios regulares ajudam tanto a prevenir quanto a obter melhores resultados do tratamento da doença

Não é exagero dizer que a atividade física é fundamental contra o câncer de mama. De verdade! Ela é uma ferramenta poderosa para auxiliar no tratamento, melhorar a tolerância à quimioterapia e à hormonioterapia e, ainda melhor, prevenir a doença.
O mecanismo é simples: a gordura corporal produz estrogênio, hormônio que influencia no crescimento das células tumorais na mama. É amplamente comprovado que obesidade e sedentarismo estão diretamente ligados ao risco de câncer nos seios.
Para prevenir, não é necessário fazer algo muito elaborado. Caminhar, praticar musculação ou até jogar uma partida de beach tennis já vale. O importante é transformar isso em um hábito. E essa proteção não é só nossa, mas também da família. Sabia que crianças que crescem em um ambiente onde a atividade física é incentivada têm menor risco de câncer no futuro?
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Para lidar melhor com o tratamento
Depois do diagnóstico, o exercício físico também é um grande aliado. Pacientes que treinam regularmente enfrentam os efeitos colaterais da quimioterapia e da hormonioterapia de forma muito mais tranquila.
Por exemplo, alguns medicamentos utilizados na hormonioterapia podem causar dores articulares. Essas dores diminuem significativamente com a prática de atividades físicas, que podem incluir tanto exercícios aeróbicos quanto treinos de força para ganho de massa muscular.
Outro ponto importante é que a atividade física ajuda a combater a fadiga, melhora o apetite (que nem sempre está em alta durante o tratamento) e ainda contribui para um sono mais reparador. É ou não é um remédio natural incrível?
Como malhar depois da cirurgia
Um dos maiores desafios para quem passou por cirurgia de mama é saber como e quando retomar os movimentos. É natural sentir medo de se machucar ou fazer algo errado, mas não é preciso sair da cirurgia “sem mover um músculo”.
Nos primeiros dias, é importante evitar movimentos acima da cabeça e o carregamento de pesos. Contar com o apoio de uma fisioterapeuta especializada é essencial para recuperar a confiança e a mobilidade. E, claro, o retorno às atividades deve ser gradual. Aos poucos, tudo volta ao normal, com algumas adaptações e limites, mas com um corpo forte e confiante para encarar a rotina.
O final do tratamento é um momento de vitória, mas também de reconstrução. A atividade física desempenha um papel essencial nesse processo, ajudando a recuperar a qualidade de vida, alcançar o peso ideal e reduzir o risco de recidiva da doença. Além disso, o exercício funciona como um grande apoio emocional, equilibrando mente e corpo após meses ou anos de terapias intensas.
Se há algo que o câncer pode ensinar, é a importância de se cuidar. Esse cuidado inclui dedicar tempo para se movimentar, seja na academia, no parque ou na sala de casa. A atividade física não é apenas um complemento ao tratamento, é parte do processo de cura.
Então, que tal dar o primeiro passo hoje? Escolha uma atividade que você goste, calce os tênis e comece a se mexer. Por você, pela sua saúde e por uma vida plena e cheia de energia.
*Marina Sahade é oncologista clínica do Hospital Sírio-Libanês
(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)