Otite externa é inflamação recorrente no verão. Aprenda a identificar
Também conhecido como “ouvido de nadador”, problema é mais frequente em crianças

A sensação de que o ouvido está tampado, diminuição na audição e a secreção de fluidos pela orelha são sinais de uma possível otite externa. O problema é caracterizado por uma inflamação da pele do canal auditivo e geralmente é acompanhada de dores, coceira e inchaço, embora não apresente febre.
A condição é recorrente durante as férias de verão pois é o período em que muitas pessoas entram em piscinas ou no mar, fazendo com que a água contribua para a remoção da cera que protege o ouvido e provocando o contato de microrganismos com pequenas lesões na região auditiva.
Como acontece a otite externa?
As causas da inflamação nem sempre são claras, mas geralmente acontecem a partir de uma pequena lesão involuntária. Essa lesão pode ser causada pela manipulação frequente do ouvido com os dedos, objetos e até mesmo com o cotonete.
Através dessa lesão, microorganismos como fungos e bactérias entram em contato com a pele causando a inflamação. Por isso, pessoas com psoríase, eczemas, dermatite seborreica e outras alergias de contato estão mais predispostas a desenvolver a otite externa. Pequenos organismos presentes na água do mar ou em piscinas de parques aquáticos também podem ocasionar o problema.
Por que otite externa?
Todas as infecções que acontecem no ouvido são chamadas de otite, mas então por que esta se chama otite externa? Isto se deve ao fato do ouvido estar dividido em três partes principais, de acordo com a profundidade do canal auditivo: ouvido externo, ouvido médio e ouvido interno.
A otite é classificada de acordo com a região acometida.
+Leia também: O que é otite e como realmente aliviar a dor de ouvido
O ouvido externo é a porção mais superficial da audição, responsável por captar os sons e amplificá-los até o ouvido médio. O externo é revestido por pele e formado por duas estruturas: o pavilhão auricular e o conduto auditivo externo. Este conduto termina na membrana que conhecemos como tímpano, dando início ao ouvido médio.
Já na parte intermediária fica a tuba auditiva, a famosa trompa de Eustáquio, que possui uma ligação com o nariz (por isso o impacto nos ouvidos durante resfriados e sinusites). Nessa porção, a amplificação do som aumenta para atingir o ouvido interno. Lá fica a cóclea e os canais semicirculares (o labirinto).
Diagnóstico e tratamento da otite externa
O diagnóstico da otite externa depende de uma avaliação médica a partir do exame com o otoscópio, um aparelho comum que permite a visualização da parte interior do canal auditivo. O tratamento dura de uma a três semanas e é feito com ácido acético, antibacterianos, anti-infecciosos e outros remédios otológicos.
Durante e após o tratamento, aconselha-se evitar a manipulação do canal auditivo com objetos e cotonetes que podem empurrar a cera para o interior do ouvido, causando atrito e ferimentos. Deve-se enxaguar as orelhas com cuidado utilizando toalhas macias.
Se a inflamação estiver relacionada com a água, deve-se utilizar tampões de proteção. Se for resultado de alergias, recomenda-se a suspensão da substância que estiver ocasionando a reação alérgica.
O que acontece se não tratar a otite externa?
Se os sintomas não desaparecerem após o tratamento, a inflamação pode evoluir para uma infecção em outras partes do ouvido, como a parte óssea e o conduto auditivo.
Um caso atípico, que é mais observado em pessoas com sistema imunológico comprometido ou idosos com diabetes não controlada, é a otite externa maligna, no qual essa infecção se espalha por outros tecidos, como o osso temporal que forma as laterais do crânio.
Essa é uma condição mais grave que requer bastante atenção. Não hesite em procurar um otorrinolaringologista sempre que apresentar dor ou coceira nos ouvidos ou perda de audição.