Olho de peixe: o que é e como surge esse problema?
Além da aparência desagradável, esse tipo de verruga na sola do pé causa dor e incômodo ao andar

O olho de peixe é uma verruga que aparece na planta do pé, em geral perto dos dedos, mas também no calcanhar. Estima-se que até 14% da população tenha lidado com ele em algum momento da vida.
A seguir, entenda mais sobre essa chateação.
1. Qual é a causa?
É provocado por uma infecção por vírus da família HPV (papilomavírus humano). Eles se aproveitam de pequenos ferimentos para chegar à epiderme, a camada externa da pele.
Ali, induzem a multiplicação dos queratinócitos, células produtoras de queratina, a proteína que confere resistência à pele.
2. Como se pega?
É comum o problema dar as caras depois que a pessoa caminha descalça em longos passeios a pé. A transmissão acontece ainda pelo contato com alguém infectado ou locais contaminados, assim como pelo compartilhamento de meias, sapatos e toalhas.
A hiperidrose, ou suor excessivo, na região dos pés também está associada ao aumento do risco de adquirir a verruga plantar.

3. Como ele é?
A verruga pode ocorrer isoladamente ou em grupos. O aspecto é de placas salientes e ásperas, meio esponjosas e por vezes com pontos escuros no centro, o que deu origem ao seu nome popular, por lembrar um olho de peixe.
Pode até ser confundida com um calo comum, mas vale destacar que, como é impactada pelo peso do corpo, cresce para dentro da pele, causando sensibilidade ao toque e dor.
4. Os riscos
O olho de peixe não costuma gerar complicações, mas a avaliação de um dermatologista é importante para fazer o diagnóstico quanto antes a fim de tomar as medidas que evitem o prolongamento do problema.
Isso porque o desconforto constante tem potencial de provocar alterações na marcha e na postura e, dessa forma, desencadear problemas musculares e articulares.
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HPV, o culpado
Existem mais de 400 tipos de papilomavírus humano — dos que causam verruga na pele àqueles que provocam câncer de colo de útero.
O olho de peixe é uma lesão benigna relacionada aos subtipos de HPV de transmissão não sexual, mais frequentemente o 1 e o 2, e não há risco de transformação maligna, ainda que a verruga interna provoque sensibilidade e dor.
Como se trata?
Nos mais jovens, a verruga plantar tende a desaparecer sozinha, mas pode levar meses ou até dois anos. Entre as intervenções mais eficazes estão a crioterapia, a cauterização química e a remoção a laser, que geralmente não deixam cicatrizes.
Menos comuns, tratamentos que promovem a renovação celular também são utilizados, como sulfato de zinco e retinoides sistêmicos.
Fontes: Larissa Mondadori Mercadante, dermatologista e professora da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas); Journal of Medical Virology