Novo tratamento reduz risco de morte por câncer de endométrio avançado
Combinação de imunoterapia e quimioterapia pode diminuir em até 43% o risco de progressão ou morte pela doença

Entre os diferentes tipos de câncer que atingem o útero, o mais comum afeta o revestimento interno do órgão reprodutor feminino, chamado endométrio. A cada ano, são cerca de 8 mil casos no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Em geral, o diagnóstico é realizado em estágio inicial, quando o tumor está confinado ao útero. Nesse contexto, a taxa de sobrevida é alta e varia de 80 a 90% em cinco anos.
No entanto, estágio avançado ou recorrente esse tipo de câncer apresenta prognóstico ruim e queda considerável na expectativa de vida.
Neste contexto, uma combinação de imunoterapia e quimioterapia apresenta resultados promissores para pacientes que apresentam um subtipo específico da doença, com proficiência nas enzimas de reparo de DNA (pMMR).
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Cerca de 80% dos casos de câncer de endométrio são da doença pMMR. Aprovada em dezembro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a terapia que une durvalumabe e olaparibe pode reduzir o risco de progressão do tumor ou morte em até 43%. Os dados são de um estudo comparativo com a quimioterapia isolada.
O durvalumabe é um tipo de imunoterapia utilizado para diferentes tipos de câncer. Já o olaparibe atua como um inibidor de PARP, que resumidamente são medicamentos que interferem no mecanismo de reparo de DNA das células, que pode ser afetado durante a doença.
Estudo pré-aprovação
O estudo que levou à aprovação foi patrocinado pela AstraZeneca e realizado em mais de 250 centros de pesquisa de 22 países. Para a análise, foram selecionadas 718 pacientes recém-diagnosticadas com tumor de endométrio avançado ou recorrente.
As voluntárias foram divididas em dois grupos para receber durvalumabe ou placebo, administrado a cada três semanas, além da quimioterapia.
Depois de 4 a 6 ciclos de quimio, as pacientes cuja doença não progrediu receberam durvalumabe ou placebo a cada quatro semanas, como manutenção, e mais 300 mg de olaparibe ou placebo até a progressão do câncer.
Os resultados foram publicados no Journal of Clinical Oncology.
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“O estudo mostrou que, para pessoas com pMMR, a adição de olaparibe faz com que o tumor fique mais sensível à imunoterapia. Talvez este seja o grande avanço desta combinação. Porém, às custas de um tratamento mais caro e com efeitos colaterais adicionais“, pontua o médico oncologista Oren Smaletz, do Hospital Israelita Albert Einstein.
De todo modo, a aprovação amplia o leque de possibilidades para estas mulheres.
“A aprovação inédita da combinação de imunoterapia com inibidor de PARP representa uma nova opção significativa, com aumento expressivo de sobrevida livre de progressão da doença“, afirma a oncologista Andreia Melo, do Grupo Oncoclínicas e chefe da Divisão de Pesquisa Clínica e Desenvolvimento Tecnológico do Inca.
A imunoterapia ainda não está disponível no SUS, somente na rede particular.