Morte de criança reforça necessidade de vacinação contra a dengue
Menina de 11 anos foi primeira vítima fatal da doença na cidade de São Paulo, e ela fazia parte da faixa-etária elegível para vacinação pelo SUS

A primeira morte por dengue na cidade de São Paulo em 2025 foi confirmada ontem, segunda-feira 10 de fevereiro. A vítima era uma menina de 11 anos que morava em Ermelino Matarazzo, na Zona Leste da capital. Ela tinha histórico de anemia falciforme e asma.
O caso, na verdade, aconteceu dia 30 de janeiro, mas só essa semana o Painel de Arboviroses da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo atualizou o dado. A causa do óbito foi confirmada após uma investigação conduzida pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL).
A faixa etária da criança é a única elegível à vacinação pelo Sistema Único de Saúde (SUS), pois é uma das mais suscetíveis a casos graves da doença. O governo garante o imunizante a jovens de 10 a 14 anos em quase 2 mil municípios selecionados pela alta incidência do problema. São Paulo é um deles.
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Alerta sobre vacinação
A Secretaria de Saúde do Estado não informou se a garota que faleceu tinha ou não recebido o imunizante.
“A vacina foi estudada em uma população saudável, não há como saber seu desempenho associado às comorbidades que a criança tinha”, pondera o médico Renato Kfouri, pediatra infectologista e Presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Mas ele ressalta que, nos estudos, o imunizante previne 90% dos casos graves de dengue. “É impossível saber quem vai evoluir mal, por isso é essencial que todos se vacinem. Esse caso traz mais um alerta, pois a dengue é uma condição potencialmente fatal, não é algo leve, como muita gente ainda pensa”, completa o especialista.
Cobertura vacinal abaixo do esperado
A adesão da população ao imunizante está baixa. Apenas 37% do público-alvo recebeu a primeira dose, e somente 20% tomou a segunda, segundo o Ministério da Saúde.
Pelo agravo da situação, a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo pretende investir em busca ativa dos jovens que não concluíram o esquema com a segunda dose, através de agentes comunitários.
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Mais mortes
De acordo com a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, do Ministério da Saúde, outros 12 óbitos na cidade estão em investigação como possíveis vítimas da dengue. A capital registrou até agora 2.851 casos da doença.
Já o estado de São Paulo acumula mais de 150 mil casos e 54 óbitos em 2025, registrando a primeira morte por dengue em 16 de janeiro, na cidade de Birigui, de um homem de 56 anos.
A forma mais eficaz de vencer a doença é a prevenção, incluindo a vacinação e o combate ao mosquito. Utilize repelente em áreas de risco, não deixe água parada, confira e higienize vasos de planta, caixa d’água, calhas, garrafas, sucata ou entulhos.