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Janeiro Branco: o que fazer quando alguém começa a falar em suicídio?

Criador da campanha lança livro sobre o assunto com uma lição clara: acolhimento e intervenção profissional previnem mortes e inspiram novos começos

Por Larissa Beani
17 jan 2025, 14h30
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Cuidar da saúde mental deve ser um dos pilares das promessas de Ano Novo (Klaus Vedfelt/Getty Images)
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A virada do ano costuma vir acompanhada de planos e promessas. Ter hábitos mais saudáveis, passar mais tempo com família e amigos, mudar de carreira… Mas nem todo mundo sente esse apetite por recomeços. Pelo contrário.

Não raro, se uma doença como a depressão também estende suas garras, o horizonte começa a se fechar. É por essas e outras que o psicólogo Leonardo Abrahão idealizou o Janeiro Branco, um mês de conscientização sobre o bem-estar mental.

Segundo ele, neste e em outros períodos do ano, precisamos estar atentos ao excesso de “dês”: desânimo, desilusão, desinteresse e desassossego. E acolher quem está passando maus bocados para que a vida não se esgote — literal e metaforicamente.

Com a missão de ajudar a sociedade a prevenir esse desfecho tão trágico, o mineiro lançou o livro O Que Fazer Quando uma Pessoa Começa a Falar em Suicídio? (clique aqui para comprar). “Há um despreparo tanto dos indivíduos quanto das instituições para lidar com essas questões”, diz Abrahão.

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+ Leia também: O que explica o aumento de casos de suicídio e autolesões no Brasil

VEJA SAÚDE: Para muita gente, a virada de ano é um momento sensível. Como isso se reflete na saúde mental?

Leonardo Abrahão: Tudo acontece em termos simbólicos, culturais e psicológicos. A virada de ano dá essa sensação de encerramento e, depois, de abertura de um novo ciclo. Isso impacta nossa psique.

É um período de intensa movimentação emocional e social, e já há pesquisas que relacionam a época com o aumento de crises de transtornos psiquiátricos e até de suicídios. Mas o fato é que, no Brasil, as doenças mentais estão se agravando de janeiro a janeiro.

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E, infelizmente, estamos na contramão do mundo. Enquanto a média global de suicídios registra uma diminuição de 36%, nas Américas houve um aumento de 17%, um crescimento puxado por mais casos no Brasil e nos Estados Unidos.

No livro, você orienta a acolher alguém que começa a falar sobre a intenção de tirar a própria vida. A que sinais ficar atento?

Muita gente se esforça em esconder o sofrimento, porque a comunidade vê com maus olhos o adoecimento emocional. Vivemos em uma sociedade condicionada à alegria artificial e sequestrada pelo discurso da felicidade tóxica.

Então, as pessoas têm medo e vergonha de demonstrar que precisam de ajuda. Sugiro ficar atento a mudanças abruptas sem motivo: pode ser no comportamento, no padrão de sono, de alimentação, de produtividade.

Sinais de desilusão, desinteresse, desânimo e desencanto estarão presentes em frases do tipo “Não sei por que estou vivo”, “Era melhor nem estar aqui”, “Se eu sumir ninguém vai sentir falta”.

Mas nem todo mundo verbaliza essa dor. Adolescentes, por exemplo, podem preferir a escrita. É importante avaliar publicações melancólicas nas redes sociais, por exemplo.

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As crianças merecem atenção especial caso comecem a ter problemas na escola, fazer muito xixi na cama, ter queixas constantes de dor de barriga ou de cabeça. São sinais de que, emocionalmente, algo está indo mal.

+ Leia também: Os fatores de risco e sinais para evitar o suicídio entre idosos

Mas como dar apoio de forma adequada?

A nossa população ainda é analfabeta em relação a tudo que diz respeito à saúde mental. Há um despreparo tanto dos indivíduos quanto das instituições para lidar com essas questões.

Frente a isso, a primeira coisa que temos de entender é que somos seres humanos e passíveis de sofrimento. É uma condição natural da vida, e é preciso aprender a lidar com ela. Outro passo é ouvir, dar chance para a pessoa colocar para fora o que está dentro de sua cabeça e de seu coração.

Tentar entender o que está acontecendo e, sem julgar, ajudá-la a encontrar uma saída. Não é hora de dar lição de moral nem de diminuir a dor do outro. O que o ser humano precisa é de tato, contato, acolhimento e calor.

+ Leia também: Antes do suicídio: o que dizer e o não dizer para alguém em risco

Além do suporte de amigos e familiares, que tipo de tratamento um indivíduo em sofrimento mental deve buscar?

Qualquer cidadão tem à sua disposição os Caps [Centros de Atenção Psicossocial], que são unidades da rede de apoio psicológico do SUS [Sistema Único de Saúde].

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Há praticamente 2,8 mil centros em todo o país e, tendo algum diagnóstico psiquiátrico ou não, você tem o direito de usar esse serviço, de ser ouvido e de ser orientado sobre a sua demanda.

É preciso ressaltar que quem procura esse apoio não é uma pessoa “desequilibrada” ou “fraca”. Essa pessoa é uma pessoa. E ela precisa de orientação profissional. É por isso que o Janeiro Branco foi criado: para combater tabus.

Quando quebramos o preconceito, damos a chance de olhar para nós mesmos e reconhecer que necessitamos de ajuda. É importante que a pessoa enxergue isso e que ela tenha alguém que também a apoie e, respeitosamente, esteja junto nessa.

+ Leia também: Quando devo procurar um psiquiatra? Entenda

Em 2024, a campanha Janeiro Branco completou 10 anos. Qual é o balanço dessa primeira década do movimento e quais são os planos para o futuro?

Temos um saldo muito positivo. A campanha nasceu no interior de Minas e, nesses anos todos, se espalhou não apenas pelo Brasil como foi adotada por outros países nas Américas, na África e na Ásia.

Por aqui, o Janeiro Branco deu origem a leis municipais, estaduais e federais de proteção à saúde mental. Estabeleceu-se como uma campanha nacional que promove milhares de horas de rodas de conversas, palestras, entrevistas…

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Entre 24 e 26 de janeiro, realizaremos o primeiro Encontro Nacional do Janeiro Branco (Enjanbra) e nele também teremos nossa primeira corrida pela saúde mental.

A ideia é que ela se torne uma nova tradição de início de ano. Enquanto a São Silvestre encerra o ciclo, a nossa abrirá o calendário, mostrando, inclusive, que a saúde mental e a física andam juntas.

O que fazer quando uma pessoa começa a falar em suicídio?

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O que fazer quando uma pessoa começa a falar em suicídio?

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