Exame de sangue para diagnosticar endometriose? Entenda
Ainda em estudo, teste promete dar resposta conclusiva sobre a doença, que hoje é detectada por meio de exames invasivos

Um grupo de pesquisadores australianos afirma estar próximo de viabilizar um exame de sangue para diagnosticar a endometriose. A novidade pode baratear e acelerar o processo de identificação da doença, que afeta até 10% das mulheres e, em muitos casos, pode exigir anos de investigações até confirmar o quadro.
O novo teste foi detalhado em um artigo recente da revista científica Human Reproduction e trabalha com a detecção de biomarcadores que estão fortemente associados à doença.
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Como funciona o teste
Chamado comercialmente de PromarkerEndo, o teste se baseia em uma amostra de sangue. Após a coleta, o líquido é analisado para avaliar a presença de 10 proteínas que têm algum papel na endometriose. É como se fosse uma “impressão digital” da doença no sangue, que ajuda a verificar a existência do problema.
No estudo recém-publicado, que contou com 805 voluntárias, os pesquisadores demonstram que o método foi capaz de diferenciar pessoas saudáveis e pacientes sintomáticas de outras mulheres que têm endometriose, mas ainda não apresentaram sinais claros da condição.
Hoje, não há um meio rápido e não-invasivo de confirmar o diagnóstico de endometriose. Alguns sintomas e exames de imagem reforçam a suspeita de que a condição está presente, mas apenas uma investigação por cirurgia videolaparoscópica permite ter certeza absoluta do quadro. Em média, pacientes levam cerca de sete anos para receber um diagnóstico conclusivo. Às vezes, muito mais.
A ideia do teste é permitir um diagnóstico precoce, que aumentaria a chance de responder positivamente aos tratamentos que existem hoje (que não curam o problema, mas ajudam a manejar os sintomas).
O que é a endometriose
Endométrio é o nome do tecido que reveste o útero. Em condições normais, ele fica mais espesso pela atuação dos hormônios durante o ciclo reprodutivo, de modo a receber o óvulo para uma eventual fecundação. Caso isso não ocorra, esse espessamento é eliminado pela menstruação.
Em pessoas com endometriose, porém, o tecido também cresce fora do útero, estando presente ao redor de outros órgãos do abdômen e até no pulmão e no cérebro, em casos mais graves.
Esse endométrio “fora do lugar” não é expelido pela menstruação, provocando dores intensas. Em algumas pessoas, o problema surge antes mesmo da menarca, e pode persistir por toda a vida, provocando dores e problemas de fertilidade, entre outros sintomas debilitantes.
A dificuldade no diagnóstico é um dos grandes desafios da doença. Hoje, alguns exames de sangue já são utilizados para auxiliar a investigação médica, mas não analisam tantos marcadores de forma conclusiva quanto o novo teste em desenvolvimento na Austrália promete fazer.