Dengue: o que você pode comer e beber se estiver com a doença
O ideal é tomar de 2 a 3 litros de líquidos por dia e dar preferência a alimentos nutritivos e de fácil digestão

Em 2025, mais de 287 mil casos prováveis de dengue já foram registrados.
A doença não tem um tratamento específico, portanto, as principais orientações para minimizar os sintomas são permanecer em repouso, hidratar-se e tomar medicamentos indicados por um médico. Automedicar-se pode aumentar o risco de complicações, inclusive hemorragia.
Nesse período, também é importante ter cuidado com a alimentação. “Ela tem um papel fundamental na recuperação da dengue”, afirma Eline Soriano, médica nutróloga e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).
Segundo a especialista, uma nutrição adequada pode ajudar a acelerar a recuperação e reduzir o risco de agravamento da doença. “O foco deve ser o consumo de alimentos leves e nutritivos para minimizar os sintomas e evitar complicações. É um dos pilares do tratamento.”
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Hidratação
O indivíduo com suspeita de dengue deve ingerir de 2 a 3 litros de líquidos por dia. Para atingir essa meta, a nutróloga orienta que sejam tomadas pequenas quantidades ao longo do dia. Isso evita enjoos e mantém o corpo hidratado.
De acordo com a médica, estes líquidos são os mais recomendados:
- Água;
- Soro caseiro ou soluções de reidratação oral;
- Água de coco (boa fonte de reposição de eletrólitos, especialmente em casos de febre e vômito);
- Chás naturais sem cafeína (como camomila, erva-doce e hortelã);
- Sucos naturais — que devem ser diluídos para evitar o excesso de açúcar.
“Bebidas açucaradas e com cafeína (como refrigerantes, energéticos, café e chá preto) devem ser evitadas, pois podem piorar a desidratação e a fadiga”, alerta Soriano.
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O que comer
Para ajudar na recuperação, dê preferência a alimentos de fácil digestão — isto é, que sejam leves, nutritivos e ricos em líquidos. Afinal, eles também são uma boa fonte de hidratação.
“Caldo de legumes e sopas fornecem minerais e eletrólitos essenciais para combater a desidratação”, indica a diretora da Abran. Além disso, priorize fontes de ferro, como feijão, lentilha, vegetais verde-escuros e carne magra. “Eles auxiliam na reposição da hemoglobina, importante em casos de anemia associada à dengue”, explica.
Frutas também devem fazer parte do cardápio. “Melancia, melão, laranja, acerola e morango são ricas em água e vitaminas. Excelentes para hidratação”, lista.
Laranja e acerola (bem como outras frutas cítricas, como limão e kiwi) também são fontes de vitamina C e ajudam na recuperação das células de defesa.
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O que não comer se estiver com dengue
Há vários alimentos que devem ser evitados sob suspeita da doença, já que podem piorar os sintomas e até agravar o quadro.
Entre eles, Soriano destaca os produtos ultraprocessados, já que os aditivos e conservantes podem fazer mal ao fígado (órgão que também pode estar comprometido pela infecção).
Frituras e carnes gordurosas também devem ser evitadas, pois são de difícil digestão e não raro acabam causando problemas gastrointestinais, como vômito e diarreia.
Alguns alimentos naturais também são contraindicados. “Alho, gengibre e cúrcuma, por exemplo, têm efeito anticoagulante e tendem a agravar o risco de hemorragia em pacientes com plaquetas muito baixas”, cita Soriano.
Em relação a bebidas, a médica reforça que as muito açucaradas e com cafeína podem piorar sintomas como dor de cabeça e fadiga, além de desidratarem.
Outro risco ao fígado e fator de desidratação são as bebidas alcoólicas. “Elas podem agravar a queda de plaquetas, aumentando o risco de sangramentos”, ressalta.
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E as vitaminas?
Segundo a diretora da Abran, a suplementação de vitaminas só é necessária caso haja uma deficiência diagnosticada. “O ideal é obtê-las por meio da alimentação”, orienta.
Entre as que mais podem contribuir para a recuperação do quadro de dengue destacam-se a vitamina C e o ferro.
“A vitamina C tem ação antioxidante e pode ajudar a reduzir o estresse inflamatório da doença. Já o ferro é necessário para evitar a anemia, que pode ocorrer nos casos mais graves”, explica Soriano.
Outras vitaminas importantes para incluir na dieta são a vitamina D, a vitamina B12 e o zinco.
Presente em alimentos de origem animal (como atum, salmão, ostras, ovos e leite), acredita-se que a vitamina D possa moderar nas respostas imunes e ajudar a reduzir a gravidade da infecção.
“A vitamina B12 [encontrada em carnes, ovos e laticínios] é essencial para a regeneração celular e produção de plaquetas e o zinco [presente em frutos do mar e oleaginosas], para a função imunológica e cicatrização”, completa Soriano.