Cirurgia robótica: uma aliada da ortopedia brasileira
Em uma sociedade mais longeva, inovações têm papel essencial na busca por qualidade de vida

O envelhecimento populacional tem sido acompanhado de perto pelos ortopedistas, especialmente pelo aumento da demanda por cirurgias de prótese de joelho.
Com mais pessoas vivendo por mais tempo, a incidência de condições debilitantes, como a osteoartrite, cresce significativamente, impulsionando o número desses procedimentos.
Dados norte-americanos indicam que, até 2030, o volume de substituições totais de joelho deve aumentar em mais de 600%, gerando uma necessidade crescente de soluções cirúrgicas para devolver mobilidade e qualidade de vida aos pacientes.
Além do envelhecimento populacional, observa-se uma tendência crescente de pessoas mais jovens recorrendo a próteses de joelho e quadril. Fatores como a busca pela manutenção de atividades físicas intensas e o aumento da prevalência de obesidade têm contribuído para esse fenômeno.
Nos Estados Unidos, por exemplo, houve um aumento de 211% nas substituições de quadril e de 240% nas substituições de joelho entre pacientes de 45 a 64 anos no período de 2000 a 2017.
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Nesse contexto, a cirurgia robótica assistida tem se destacado como uma alternativa moderna e eficaz, com benefícios importantes para casos selecionados. Seu avanço combina tecnologia de ponta com a expertise do cirurgião e permite um planejamento cirúrgico detalhado e personalizado, utilizando imagens em 3D para mapear a articulação e guiar os movimentos com precisão milimétrica.
Essa abordagem reduz significativamente o risco de erros e garante o alinhamento ideal dos componentes da prótese, um fator crucial para aumentar sua durabilidade e melhorar os resultados funcionais a longo prazo.
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No entanto, as taxas de revisão, ou seja, de substituições de próteses já implantadas, ainda são relevantes e estão relacionadas a fatores como desalinhamento inicial, falha dos materiais ou infecções. A introdução da cirurgia robótica tem o potencial de reduzir essas estatísticas, oferecendo resultados mais previsíveis.
Apesar dos múltiplos benefícios, a cirurgia robótica não é indicada para todos os pacientes. Fatores como idade, saúde óssea e características anatômicas precisam ser avaliados cuidadosamente. Pacientes com osteoporose severa ou deformidades estruturais complexas, por exemplo, podem não se beneficiar igualmente dessa tecnologia.
Por isso, o processo de decisão deve ser conduzido de forma personalizada, considerando as necessidades de cada pessoa e os critérios clínicos específicos.
Quando bem indicada, a cirurgia robótica proporciona vantagens significativas. Além da precisão técnica, ela reduz o desgaste desigual das próteses, diminui o risco de complicações e aumenta a estabilidade articular.
Com o aumento da expectativa de vida e o desejo de envelhecer de forma ativa, inovações como essa desempenham um papel essencial na busca por qualidade de vida.
No entanto, é fundamental que pacientes e médicos discutam detalhadamente as opções disponíveis, considerando os prós e contras de cada abordagem, as evidências científicas e as características individuais.
A consulta com um ortopedista especializado é o primeiro passo para avaliar se essa solução inovadora é a mais adequada.
*Arnaldo Hernandez é cirurgião ortopédico do Hospital Sírio-Libanês
(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)