Chuvas favorecem infestação de caramujos: veja cuidados para eliminar os moluscos
Espécie exótica introduzida no Brasil, os caramujos africanos não tem predadores naturais e podem ser hospedeiros para vermes que causam doenças

O mês de fevereiro começou com fortes temporais em diversas regiões do Brasil. Os vários dias de chuva costumam trazer um invasor para ruas, quintais e casas: os caramujos africanos.
A umidade e o calor fazem de alguns ambientes urbanos locais ideais para a proliferação do molusco. Além de incômodos, os animais podem transmitir doenças.
Entenda os riscos da presença do caramujo em hortas e jardins e saiba como combater a espécie em segurança.
Por que os caramujos aparecem depois da chuva?
A espécie que costuma invadir os quintais em períodos chuvosos chama-se Achatina fulica, mais conhecida como caramujo africano.
O molusco é exótico e foi introduzido irregularmente no Brasil na década de 1980, com o propósito de criar uma alternativa mais barata ao famoso escargot.
A iniciativa não vingou, e o bicho acabou solto na natureza. Sem predadores naturais e com alta taxa reprodutiva, eles se tornaram um problema para a biodiversidade e a saúde pública. Hoje, estão presentes em quase todos os estados brasileiros.
O verão é o período de reprodução do caramujo, cujos ovos eclodem em dias úmidos. Os moluscos se alimentam de quase qualquer coisa, e são considerados uma praga para plantações e hortas no meio urbano.
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Riscos do contato com os caramujos
O perigo não está no caramujo africano em si, mas em parasitas que o molusco pode carregar. O verme Angiostrongylus cantonensis é uma das espécies que pode viver nas mucosas do animal, e causa meningite eosinofílica.
Esse tipo de meningite provoca dor de cabeça intensa, bem como alterações visuais, náuseas, vômito, formigamento e dormência. No organismo humano, o parasita se aloja nos pulmões. Em alguns casos, o quadro pode ser grave e até levar à morte.
Outro verme que pode estar no caramujo é o Angiostrongylus costaricensis. Essa larva é causadora de uma infecção intestinal aguda, chamada de angiostrongilíase abdominal.
Embora possa ser assintomática, a doença é capaz de gerar perfurações intestinais e peritonite – inflamação da membrana que reveste a parede abdominal.
Nem todo caramujo é hospedeiro desses vermes, por isso, o risco de contrair essas doenças é considerado baixo no Brasil. No entanto, o melhor a fazer é prezar pela precaução e dar um fim os caramujos sempre que possível.
Cuidados para eliminar os moluscos
Para diminuir as chances de ser infectado com um parasita do molusco, a primeira dica é evitar contato direto com o caramujo e o muco secretado por ele.
Para isso, é importante utilizar luvas ao trabalhar no jardim, além de fazer a correta higienização de frutas e hortaliças, a partir de uma solução de hipoclorito de sódio, conhecido como água sanitária. Em caso de contato acidental, lave bem as mãos com água e sabão.
Quando os caramujos aparecem nos quintais, a única forma de combatê-los é usando luvas para recolher os bichos. Uma alternativa é colocá-los em um recipiente e, em seguida, jogar água fervente.
Outra ideia é esmagar as conchas com um cabo de vassoura, enterrar os restos e cobri-los com cal virgem. Atenção: não use sal para matar os caramujos. Essa dica popular acaba contaminando o solo e desequilibrando o meio ambiente. Pesticidas ou venenos tampouco são indicados.
A estratégia para manter os caramujos longe do jardim é limpar o terreno, descartando restos de madeira, resíduos e materiais que acumulem umidade e possam servir de refúgio para os moluscos.
Uma dica de preservação
O caramujo africano pode ser confundido com o Megalobulimus sp., molusco chamado de aruá-do-mato. Diferente da espécie invasora, o aruá-do-mato é um nativo brasileiro e não apresenta risco algum para a saúde.

Dá para diferenciar os dois pela concha: enquanto a casca do caramujo africano é alongada, tem mais voltas e listras brancas, a do aruá-do-mato é arredondada e espessa.