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Casos de câncer colorretal na rede privada crescem 80% em 8 anos

Segundo levantamento, aumento de casos pode estar associado a hábitos pouco saudáveis e avanços tecnológicos no diagnóstico

Por Larissa Beani
Atualizado em 23 jan 2025, 11h25 - Publicado em 23 jan 2025, 10h00
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O intestino pode ser acometido pelo câncer (Ilustração: Jonatan Sarmento/Veja Saúde)
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Em um período de apenas oito anos, o diagnóstico de câncer colorretal cresceu 80,3% entre beneficiários de planos de saúde, segundo levantamento realizado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS).

O estudo, disponível neste link, avaliou o Painel dos Dados da Troca de Informação de Saúde Suplementar (D-TISS), um banco de dados eletrônico padronizado e obrigatório que recebe registros sobre os atendimentos feitos pelos planos de saúde no Brasil. É uma ferramenta da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) utilizada para gerir e fiscalizar o serviço privado de saúde no Brasil.

O período analisado foi de 2015, em que foram identificados 2.476 casos da doença, a 2023, com 4.465 registros.

Isso quer dizer que, em 2015, a incidência da doença era de 5 a cada 100 mil beneficiários e, em 2023, ela foi para 8,8 a cada 100 mil conveniados de qualquer plano de saúde brasileiro.

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O aumento é similar entre os sexos, embora, em 2023, o diagnóstico tenha crescido mais entre as mulheres. Ainda assim, a incidência é levemente maior entre os homens.

A idade é um fator de risco importante, já que é uma neoplasia mais comum entre os mais velhos. Em todos os anos, pessoas com 60 anos ou mais constituíram mais da metade dos casos identificados e tiveram o maior aumento de incidência da doença, partindo de aproximadamente 17 casos a cada 100 mil beneficiários em 2015 para quase 35 casos a cada 100 mil em 2023.

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Conveniados de 40 a 59 anos também são um grupo expressivo de pacientes, com um pequeno aumento na incidência. Aqueles abaixo dos 39 anos são minoria no diagnóstico.

A saúde suplementar é utilizada por cerca de um quarto da população brasileira, somando mais de 50 milhões de usuários.

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Por que o câncer colorretal cresce no Brasil?

Segundo a avaliação do IESS, um dos principais fatores é o avanço tecnológico disponível hoje para o diagnóstico da doença.

“Os principais exames utilizados são a colonoscopia e o exame de sangue oculto nas fezes, que ajudam a identificar a maioria das lesões pré-cancerosas e de tumores malignos”, explica José Cechin, superintendente-executivo do IESS. “Mas também há avanços significativos nas tecnologias de tomografia, uso de inteligência artificial e do conhecimento sobre a microbiota intestinal”.

Entre as principais novidades diagnósticas, o relatório cita a colonoscopia virtual, um método menos invasivo de rastreamento no qual são geradas imagens tridimensionais do intestino a partir de tomografias computadorizadas. 

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Biomarcadores tumorais também podem ser descobertos em exames de fezes e de sangue, como as biópsias líquidas

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A inteligência artificial também é uma ferramenta para análise de imagens endoscópicas, ajudando a identificar os vários tipos de pólipos e lesões suspeitas encontradas em exames tradicionais. Ela também é essencial à análise genômica, que procura por alterações genéticas que possam estar relacionadas ao desenvolvimento do câncer.

Estilo de vida

Maus hábitos também estão relacionados ao desenvolvimento da doença e ao aumento de casos. Dietas com alto consumo de ultraprocessados e carnes vermelhas e pobres em fibras são um fator de risco, bem como o uso de álcool e tabaco.

O sedentarismo também está associado a diversos malefícios à saúde, inclusive o aumento de risco de câncer.

“Maior conscientização sobre a doença, que foi diagnosticada em celebridades como Preta Gil e Pelé, também pode influenciar o diagnósticos, assim como uma maior completude dos dados da TISS“, avalia Cechin.

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Como prevenir o câncer colorretal

A realização de exames de rastreamento é indispensável para a prevenção e diagnóstico precoce da condição.

Por meio da colonoscopia, padrão-ouro para a identificação da condição, é possível detectar doenças inflamatórias intestinais, lesões pré-cancerosas (como pólipos adenomatosos) e os próprios tumores malignos.

Baseada nas recomendações da Sociedade Americana do Câncer, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica indica que  colonoscopias sejam realizadas a partir dos 45 anos — ou mais cedo, dependendo de fatores de risco, como histórico familiar.

A frequência da realização do exame é determinada pelo médico de forma individual, a partir da avaliação dos resultados e do conjunto de fatores de risco para a doença. Na população geral, a indicação é a cada 10 anos. O intervalo é menor entre aqueles com doenças intestinais e casos na família.

Um estilo de vida saudável é um fator protetivo. “Seguir uma dieta equilibrada e rica em verduras, legumes e frutas; não consumir álcool e fumo; e incluir atividade física na rotina são medidas que diminuem o risco da doença e contribuem para a saúde como um todo”, orienta Cechin.

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Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), mais de 45 mil casos de câncer colorretal serão diagnosticados em 2025, o que torna a neoplasia a terceira mais comum no Brasil, excluindo o câncer de pele não melanoma.

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