Um mergulho na medicina na era da inteligência artificial
Não há como viver no mundo moderno sem que façamos uma parceria: seres humanos e as máquinas

Tenho pensado muito em como vocês, leitores da VEJA SAÚDE — e, em especial, os leitores da minha coluna — vêem a inteligência artificial (IA) na prática médica.
Me questiono por que lembro que há até pouco tempo eu mesma tinha uma visão super limitada sobre o tema. Imaginava que inteligência artificial se resumia a médicos sendo trocados por robôs, ou computadores realizando tarefas sozinhos sem qualquer interação humana, algo parecido com cena de filme futurista.
No entanto, comecei a me dedicar a entender um pouco mais sobre o tema, mergulhando na minha própria curiosidade e necessidade. Afinal, médicos precisam sempre estar atualizados.
Ouvi em uma palestra, no início deste ano, que médicos não serão substituídos pela IA, mas médicos que não entendem nada de IA artificial serão trocados por médicos que entendem – e essa foi a virada de chave que me fez estudar, ler e perceber que a inteligência artificial já está em muitos lugares, onde nós nem percebemos.
Venham comigo entender exemplos desta mudança da medicina.
Desde a pandemia de covid-19, começamos a fazer atendimentos via telemedicina, que até então eram proibidos pelos conselhos médicos. Acreditava-se que consultas online seria má prática da medicina. Só que a necessidade virou rotina, e hoje, aprendemos quais são os atendimentos possíveis e seus limites, e nossos sistemas já se atualizaram para que, pela tela do computador ou celular, pacientes sejam atendidos com segurança e qualidade.
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Além dos atendimentos, você pode já estar usufruindo da IA e nem se apercebeu disso. No A.C. Camargo, assim como em outros centros de diagnóstico, máquinas de exames já dispõem de sistemas integrados para melhorar a qualidade das imagens. Você sabia disso? E muitas outras instituições utilizam tecnologias do tipo.
Vou deixar um exemplo prático que me chamou a atenção em uma apresentação recente do Dr Almir Bitencourt:
A maioria das mulheres reclama da pressão que o aparelho de mamografia faz durante o exame. No entanto, essa pressão é necessária para que o exame tenha qualidade. Sem ela, a mama fica “grossa” e a avaliação das imagens fica comprometida. Por isso, já existem sistemas inteligentes que checam se a pressão nas mamas foi adequada e bem distribuída.
No ultrassom, aplicativos também ajudam a melhorar a imagem para que uma biópsia seja realizada em quem precisa, e principalmente, deixe de ser indicada em quem não precisa.
Algumas cirurgias ganharam força e qualidade com a IA. O uso de robôs já faz parte da prática de muitas de nossas especialidades para melhora da destreza numa operação, da qualidade de imagens e da capacidade de transmití-las, que permite até mesmo a realização de procedimentos à distância.
Outro uso que nos ajuda a melhorar o seu atendimento são a possibilidade de buscas de artigos científicos e interação com grupos ao redor do mundo em tempo recorde. Imaginem que quando eu me formei, eu estudava por livros. Não existia internet, e a medicina evoluía, claro, mas não na velocidade atual.
O número de estudos e de informação que a internet carrega hoje é imenso! Ou seja, não tem como viver mais sem fazer uma parceria: nós seres humanos e as máquinas. A combinação de inteligência humana e artificial já é uma realidade inseparável e necessária para a evolução da medicina.
E aí? Você tinha ideia de que já estava vivendo esta realidade? Conta pra mim!