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Como anda sua saúde mental? O psicólogo e psicanalista Francisco Nogueira, membro efetivo do Departamento Formação em Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae e cocriador da consultoria Relações Simplificadas, reflete sobre as questões da mente humana para lidarmos melhor com os desafios do mundo de hoje

Como resgatar a esperança diante de um mundo cheio de problemas e crises?

Um dos problemas decorrentes da derrocada da esperança é a ilusão de que o destino distópico é uma fatalidade, algo impossível de ser evitado

Por Francisco Nogueira
27 jan 2025, 10h30
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Quando a gente compartilha o que sente com alguém, a caminhada fica menos exaustiva (Ilustração: Nik Neves/SAÚDE é Vital)
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O Brasil sustenta a segunda maior taxa de pessoas deprimidas das Américas e a quinta no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a entidade, o mundo atual possui um alto potencial traumatizante.

Notícias como essas são desencorajadoras e vêm afetando a nossa subjetividade de forma preocupante. Uma delas é a perda da nossa capacidade de ter esperança. Afinal, como lidar com tantos problemas no mundo, em toda a sua complexidade, sem perder a cabeça ou entregar os pontos?

O filósofo Byung-Chul Han, em seu novo livro, sustenta que é sim possível superar os desafios contemporâneos, como a adversidade climática, as guerras, a violência urbana, a crise de saúde mental e o extremismo político, entre tantas outras ameaças que nos causam uma sensação difusa e constante de medo.

Sabemos, por experiência, que quem está com medo não consegue pensar com a mesma clareza de quem está seguro e tranquilo. Han vai além e argumenta em seu novo livro, “O espírito da esperança” (Editora Vozes)*, que a crise de saúde mental e o aumento de pessoas deprimidas ou ansiosas estão relacionados a uma forma de produção social que gera medo como subproduto.

O medo mortifica a nossa esperança e capacidade de sonhar novos arranjos de mundos capazes de nos resgatar do destino distópico.

Um dos problemas decorrentes da derrocada da esperança é a ilusão de que o destino distópico é uma fatalidade, algo impossível de ser evitado. Sem esperança, não há razões para sonhar um futuro diferente. A distopia se torna, assim, a única realidade possível.

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Essa batalha contra a nossa capacidade de esperançar é travada no campo da semiótica.

Um exemplo claro disso aconteceu há poucos dias, quando assistimos perplexos um dos magnatas que acompanham o novo presidente dos Estados Unidos performar supostos gestos nazistas. Para completar o ataque, o bilionário que não comprou uma rede social para divulgar a verdade, mas o contrário, para poder espalhar fake news livremente, defende que aquilo que todos viram o que era, na verdade, “não era bem assim”.

Na guerra semiótica, atacar a realidade é favorecer os traumas, alimentar os medos e enfraquecer a esperança. O artifício discursivo de meneio, que desloca o assunto para campos de ambiguidade e cinismo, desmentindo a realidade, subtrai o nexo causal que liga a nossa experiência à realidade.

Assim, perdemos contato com a explicação dos acontecimentos e dos porquês que costuram os sentidos da nossa história e nos protegem dos traumas psíquicos.

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Resgate

O resgate da esperança que Byung-Chul Han propõe é curativo e sanador. Permite a superação dos medos, a retomada da capacidade de sonhar e a concentração das forças necessárias para mudarmos o nosso destino e realidade.

É preciso ter esperança para superar o fascismo. Qualquer referência de exaltação a uma das piores barbáries da humanidade, qual seja, o extermínio de seres humanos por meio de métodos industriais, é, em si, um gesto de barbárie. Não há como relativizar as coisas quando o que está em jogo é a vida humana.

Primo Levi, em “Assim foi Auschwitz” (Companhia das Letras), depois de descrever os horrores do fascismo e do nazismo, nos lembra, em tom de alerta, que da República de Weimar até o cenário devastador de 60 milhões de mortos na II Guerra Mundial passaram-se apenas doze anos.

E o problema da naturalização da barbárie é que ela liquida a esperança, a qual pode ser justamente o antídoto para o desumano e o inominável. É preciso ter esperança de que a democracia irá superar o fascismo.

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Diante da barbárie, do colapso climático, da violência das guerras, do retorno do fascismo e de tantas e tantas manifestações da Pulsão de Morte, como diria Freud, a esperança se apresenta enquanto aglutinador de Pulsão de Vida. Ela nos permite olhar para o futuro e nos conectar com a humanidade em nós e nos outros.

Não estamos falando de um otimismo cego, mas da esperança como uma orientação do espírito, que reconhece as dificuldades do caminho e nos conecta uns com os outros em movimentos de superação. Ela não é um comando ou algo que pode ser ensinado, mas sim um estado de ânimo que nos inspira a criar e inovar.

Precisamos defender uma sociabilidade e uma vida que renove a nossa capacidade de ter esperança e que crie uma atmosfera protetora contra o clima de medo e contra os traumas psíquicos. A esperança é o fermento da criatividade e aquilo que nos prepara para grandes coisas.

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