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Médicos, nutricionistas e outros profissionais da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) explicam as novas (e clássicas) medidas para resguardar o peito

Calor: dicas de especialistas para proteger o coração nos dias quentes

A alimentação e outros cuidados fazem toda a diferença para minizar os efeitos negativos das altas temperaturas no organismo

Por Marcelo Franken, cardiologista, e Valéria Machado, nutricionista*
20 fev 2025, 10h09
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Mundo enfrenta aquecimento global inédito na era moderna (Foto: malerapaso/Getty Images/Veja Saúde)
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Medidas governamentais nos quatro cantos do mundo são imperativas para reduzir o impacto das atividades humanas no planeta. Afinal, já estamos convivendo com os efeitos deletérios destas ações.

O aumento da temperatura na Terra é um exemplo. E as notícias não são promissoras: a frequência e a intensidade do calor extremo continuarão a aumentar no século 21. A afirmação consta em um recente relatório da ONU denominado “Calor e Saúde”.

O estresse físico provocado pela alta no termômetro é a principal causa de mortes relacionadas ao clima e tende a agravar certas doenças, como as cardiovasculares (DCVs), diabetes, saúde mental e doenças respiratórias.

Para se ter uma ideia das consequências, ainda segundo a ONU, entre 2000 e 2019, 489 mil mortes relacionadas ao calor excessivo ocorreram a cada ano, sendo 45% delas na Ásia e 36% na Europa. Em 2010, na Rússia 56 mil mortes foram vinculadas a uma onda quente que durou 44 dias.

+Leia também: Calor excessivo: saiba os sinais de estresse térmico, quadro que pode ser fatal

Submetido a temperaturas muito altas, o corpo humano não é capaz de se regular internamente. Dessa forma, a pressão exercida enquanto o organismo tenta resfriar estressa coração e rins, agravando o quadro de pacientes crônicos, como os cardiopatas.

O relatório “Calor e Saúde” também afirma que as temperaturas acima da média podem estar associadas ao aumento da poluição atmosférica que, por sua vez, afeta o sistema cardiovascular.

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Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), também ligada à ONU, apontam sete milhões de mortes anuais por DCVs originadas por poluição atmosférica, sendo 25% por causas cardíacas e 24% por acidente vascular cerebral (AVC). De acordo com a OMS, nove em cada dez pessoas no mundo respiram poluentes que excedem os limites tolerados.

Em 2024, a influência das questões climáticas para a saúde ganhou espaço no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia. Discussões sobre o impacto da poluição foram incluídas nas Diretrizes de Hipertensão Arterial e de Fibrilação Atrial lançadas durante o evento, sediado em Londres.

Os brasileiros da maioria das regiões do país estão sentindo na pele as temperaturas mais elevadas, mesmo em estações nas quais o clima seria mais ameno. Por isso, enfrentar o verão não está sendo nada fácil, especialmente para pessoas cuja saúde cardiovascular requer cuidados. Mas há maneiras de lidar melhor com tais impactos.

Medidas necessárias

Os sintomas do estresse causado pelo calor extremo exigem intervenções rápidas, uma vez que as mortes e hospitalizações derivadas desta situação ocorrem no mesmo dia ou, no máximo, nos dias subsequentes à exposição a esta condição climática radical.

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Por isso, o documento desenvolvido pela ONU preconiza que os profissionais e organizações de saúde ajam rapidamente diante de um diagnóstico, como insolação ou hipertermia, além de se fazer necessário o planejamento de estratégias envolvendo políticas públicas quando há prenúncio de ondas de calor.

Já entre as iniciativas individuais, uma dica é evitar sair e fazer atividades que exijam esforço físico em horários mais quentes e, na medida do possível, optar por permanecer em locais arejados ou sombreados.

O ar noturno, normalmente mais fresco, pode ajudar a expulsar o ar quente de ambientes fechados, portanto mantenha portas e janelas abertas quando o sol se for. Durante o dia faça o contrário, feche os ambientes para evitar o aquecimento vindo de fora.

Para os cuidados pessoais, use roupas leves e largas, use chapéu ou proteja a cabeça do sol, tome banhos com água fria, molhe a pele com pano úmido e spray e não esqueça do protetor solar.

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Atenção especial deve ser dada aos extremos de idade, mais vulneráveis e muitas vezes com restrição de acesso a água. Importante lembrar de nunca deixar crianças pequenas e idosos trancados dentro dos carros.

+ Leia também: Ondas de calor: fique atento a esses 5 sintomas de desidratação

Os mandamentos da alimentação no calor

O departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) elaborou dicas de alimentação para manter a saúde cardiovascular e que funcionam muito bem para os dias de calor excessivo.

São medidas que ajudam a nos manter hidratados, reduzem o esforço do sistema cardiovascular e contribuem para uma melhor regulação da temperatura corporal.

Veja os “10 mandamentos” elaborados pelos especialistas:

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  • Mantenha-se bem hidratado, bebendo muita água e líquidos como água de coco e sucos naturais, mas lembre-se que nada substitui a água;
  • Consuma alimentos leves e ricos em água, como frutas e vegetais, que ajudam na hidratação e fornecem nutrientes essenciais;
  • Opte por peixes como salmão, truta e bacalhau, que são ricos em proteínas, baixos em calorias e associados à redução da incidência de doenças cardiovasculares;
  • Evite alimentos gordurosos e com alto teor de sal, como os ultraprocessados e os fast-food;
  • Prefira refeições menores e mais frequentes para evitar sobrecarga digestiva;
  • Inclua chá verde na dieta, que contém componentes antioxidantes que auxiliam o metabolismo, mas consulte seu nutricionista para entender a quantidade e horário correto para consumo;
  • Escolha alimentos ricos em fibras, como grãos integrais, que ajudam a controlar os níveis de colesterol;
  • Reduza o consumo de alimentos processados e frituras, optando por gorduras saudáveis como o azeite;
  • Evite o consumo excessivo de álcool, que contribui para a desidratação;
  • Adapte os horários das refeições, evitando comer em excesso nos momentos mais quentes do dia.

Se não podemos baixar o termostato do planeta, podemos fazer o que está ao alcance para diminuir riscos de nosso corpo sofrer as consequências graves e até fatais que o calor extremo acarreta.

Vamos fazer nossa parte, enfrentando, com consciência, as ondas de calor.

*Marcelo Franken é diretor da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) e gerente de Cardiologia do Hospital Israelita Albert Einstein. Valéria Machado é coordenadora geral do Departamento de Nutrição da SOCESP e mestre e doutora em Ciências Aplicadas à Cardiologia.

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