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Câncer de pâncreas: quando o descaso é fatal

A mãe de Juliana sofreu por anos com dores abdominais até falecer sem receber a assistência adequada

Por Juliana Bessa, jornalista*
8 jan 2025, 11h57
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O câncer de pâncreas é de difícil tratamento. Nos casos em que a cirurgia é possível, deve ser feita logo (Ilustração: Editoria de arte VEJA SAÚDE/SAÚDE é Vital)
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Foram dois anos e meio de sofrimento e diagnósticos incorretos. O principal sintoma da minha mãe era sempre o mesmo, dor abdominal. Em dois hospitais públicos do Rio de Janeiro, os exames e biópsias eram inconclusivos, e o caso permanecia sem solução.

Em junho de 2023, surgiu um novo alerta: diabetes repentina. Minha mãe nunca havia sido diabética. Informamos isso à hepatologista do Hospital Federal de Ipanema, junto com seu histórico de problemas gástricos. A médica prescreveu medicamentos e pediu exames, mas não considerou a possibilidade de algo mais grave.

A dor piorava, e as visitas ao hospital tornaram-se frequentes. Em cada consulta, os residentes receitavam dipirona e nos mandavam para casa. Confiávamos na equipe médica, mas minha mãe já apresentava diabetes, dor constante, perda de peso, falta de apetite e vômitos. Ainda assim, era difícil conseguir internação.

Em 2023, conseguimos sua internação após uma longa batalha, já que os sintomas se agravavam diariamente. Mesmo assim, os médicos não compartilhavam os resultados dos exames, alegando que o caso estava em investigação.

Desesperada, pesquisei os sintomas na internet e descobri que tudo apontava para câncer de pâncreas, incluindo a diabetes repentina. Relatei isso à médica residente, mas ela insistiu que era necessário mais tempo para investigar. Descobri, apenas após o falecimento da minha mãe, que os exames já indicavam lesões no pâncreas.

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Apesar disso, deram alta e continuaram prescrevendo remédios paliativos nas consultas seguintes, ignorando a gravidade do quadro.

A biópsia, essencial para o diagnóstico, era praticamente inacessível pelo SUS. Só conseguimos agilizar o procedimento graças a um apelo na mídia. Em um grupo de câncer de pâncreas no Facebook, encontrei relatos semelhantes ao da minha mãe e informações importantes que nenhum médico havia nos dado.

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Quando o resultado da biópsia chegou, já era tarde: câncer de pâncreas em estágio IV, com metástases em vários órgãos. Minha mãe estava terminal, sem chances de tratamento.

A última internação foi uma batalha por dignidade. Mesmo com dores intensas, a equipe médica inicialmente recusou sua internação, sugerindo que ela ficasse em casa. Lutamos por uma maca, oxigênio, remédios para dor e até transfusões. A única assistência oferecida era apoio psicológico, enquanto insistiam em dar alta para que ela passasse os últimos dias em casa.

Em dezembro, ela faleceu, dois dias antes do Natal. O fato de tudo ter acontecido nessa época só intensificou o sofrimento.

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Infelizmente, esse não é um caso isolado. Muitos enfrentam o mesmo descaso no SUS. O câncer de pâncreas, agressivo e letal, exige diagnóstico e tratamento rápidos, mas o sistema público é marcado por lentidão em todas as etapas: exames, biópsias, cirurgias, consultas e quimioterapia. Cada dia de atraso reduz as chances de vida.

Quem tem plano de saúde ou recursos para atendimento particular pode, ao menos, tentar lutar pela vida. Pacientes que dependem exclusivamente do SUS não têm essa oportunidade, pois a demora sistemática impede tratamentos eficazes.

Que este relato seja um chamado por mais humanização e responsabilidade no atendimento médico.

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*Juliana Bessa é jornalista, tem 39 anos e vive no Rio de Janeiro. Sua mãe tinha 63 quando faleceu. 

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