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Com a Palavra

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Neste espaço exclusivo, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde

Por que precisamos pensar mais na saúde da população negra?

Diretora de associação e comunicadora falam sobre os desafios atuais no enfrentamento ao racismo estrutural no âmbito da saúde

Por Sheila Ventura Pereira, assistente social, e Carolina Cohen, especialista em comunicação de causas*
20 jan 2023, 09h29
saúde da população negra no Brasil
Os negros representam mais da metade da população do Brasil e estão mais suscetíveis a alguns problemas de saúde (Ilustração: Isadora Pinheiro/SAÚDE é Vital)
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O início de um novo governo traz a oportunidade de debater meios para fortalecer, implementar e assegurar direitos com a devida equidade aos cidadãos brasileiros. Inclusive porque o tema da (des)igualdade tem muito a ver com saúde.

Os negros representam mais da metade da nossa população — 54% das pessoas no país se declaram negras, de acordo com o IBGE. Apesar de algumas conquistas institucionais, esse contingente está mais exposto a uma série de problemas de saúde devido a questões genéticas, históricas e sociais, que aumentam sua vulnerabilidade a essas doenças.

Segundo o Ministério da Saúde, estão entre as enfermidades mais preocupantes do ponto de vista étnico para a população negra a doença falciforme, a pressão alta, a hipertensão específica da gravidez e o diabetes. Para ficar num exemplo altamente prevalente: o diabetes atinge em torno de 50% mais mulheres negras do que brancas e 9% mais homens negros do que brancos.

Se olharmos para a doença falciforme, marcada por uma alteração nos glóbulos vermelhos que faz essas células do sangue perderem a elasticidade e sua forma arredondada com o tempo — adquirindo o aspecto de foice, daí o nome do quadro —, veremos que a incidência no nosso povo varia de 2 a 6%, mas passa a algo entre 6 e 10% entre os negros.

Essa doença de origem genética dificulta a passagem do sangue pelos vasos de pequeno calibre, comprometendo a oxigenação dos tecidos. E é o maior exemplo do racismo institucional. Entre a sua descoberta, em 1910, e a primeira política pública voltada a seu controle no país, passaram–se 95 anos!

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Nenhuma doença percorreu quase um século da sua descrição até a implementação de um programa de assistência pública — e falamos de um problema que acomete milhões de pessoas.

+ Leia também: Racismo faz mal à saúde

Muito além dele, os negros também estão mais suscetíveis a desnutrição, doenças ocupacionais, moléstias infecciosas e parasitárias, dependência química, transtornos mentais, complicações na gravidez e no parto, mortalidade infantil… A lista infelizmente é longa.

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Em tempos de pandemia, os negros ainda foram os que mais morreram por Covid-19, e os que menos receberam vacina até agora. Uma das formas mais eficientes de combater esses índices e desigualdades é tocar na ferida e garantir que a população participe das decisões sobre a saúde no Brasil.

Ao ouvirmos os cidadãos, podemos construir políticas públicas que, de fato, atendam suas necessidades — sem deixar nenhum grupo, maioria ou minoria, de fora do processo.

É por isso que iniciativas e atores como as socialtechs ganham espaço e vêm se somar ao trabalho de autoridades, organizações da sociedade civil, gestores e profissionais de saúde, inspirando pessoas comuns a se fazerem ouvir e a mudar a história da saúde no Brasil.

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Nossa proposta é trabalhar em rede para ampliar a mobilização em defesa do SUS e o acesso a diagnóstico e tratamento para doenças que afetam boa parte dos negros no país, combatendo também o racismo e suas repercussões no bem-estar dessa população. Só assim criaremos um sistema de saúde realmente respeitoso e universal.

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*Sheila Ventura Pereira é assistente social e diretora da APROFe – Saúde da Pessoa Negra; Carolina Cohen é especialista em comunicação de causas e cofundadora da Colabore com o Futuro

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