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Lipedema: entenda o papel da atividade física no tratamento da doença

Exercício físico pode aliviar os sintomas e contribuir para um tratamento mais eficaz, sugerem estudos

Por Vitor Gornati, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular*
Atualizado em 30 jan 2025, 10h34 - Publicado em 30 jan 2025, 10h30
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O lipedema afeta mais de 10% das mulheres no mundo (Foto: Drazen Zigic/Freepik)
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O lipedema é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura em áreas específicas do corpo, resultando em problemas articulares, ganho de peso e dificuldades de mobilidade.

Essa condição afeta mais de 10% das mulheres no mundo, e, apesar de sua gravidade, foi oficialmente reconhecida como uma doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apenas em 2022.

Isso ocorre porque, historicamente, o lipedema foi amplamente desconhecido e confundido com outras condições, como obesidade e linfedema, levando a um atraso no diagnóstico e a um grande déficit de informações.

Apesar de compartilharem alguns sintomas semelhantes, como o acúmulo de gordura, aparecimento de varizes ou inchaço, seus mecanismos patológicos são distintos, e os tratamentos e opções terapêuticas variam significativamente.

+ Leia também: Obesidade: nova forma de diagnóstico vai além do IMC

A falta de conhecimento médico e a desinformação sobre os sinais e tratamentos têm dificultado o acesso das pacientes a uma abordagem adequada, o que agrava as consequências físicas e psicológicas. Em grande parte, as mulheres com lipedema enfrentam diagnósticos incorretos e tratamentos inadequados, que podem incluir dietas e exercícios sem a devida personalização para suas necessidades específicas.

Embora o problema não tenha cura, as terapias focadas no alívio dos sintomas e na melhoria da qualidade de vida têm avançado significativamente nos últimos anos. Nesse contexto, um dos maiores avanços é o papel da atividade física como estratégia terapêutica.

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Um estudo realizado pela Sociedade Italiana de Ciências Motoras e Esportivas (SISMeS) e pela Sociedade Italiana de Flebologia (SIF), publicado no final de 2024, destaca que o exercício físico pode aliviar os sintomas e contribuir para um tratamento mais eficaz.

As descobertas evidenciadas pela pesquisa representam um avanço no entendimento do impacto do movimento no manejo da doença, uma vez que diversos tipos de exercícios, como atividades aquáticas e treinamento de força, demonstraram aliviar os sintomas.

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O lipedema nem sempre é identificado facilmente (Foto: Freepik/Divulgação)

Entre os principais benefícios observados, destaca-se a modulação da função mitocondrial — ou seja, o aprimoramento da eficiência das mitocôndrias, responsáveis pela produção de energia nas células, o que contribui para um metabolismo celular saudável.

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E também a ativação da AMPK (uma enzima que funciona como um ‘sensor energético’ nas células, sendo ativada em situações de baixos níveis de energia), além de efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes.

Outros benefícios incluem a melhora da vascularização, com aumento da perfusão e oxigenação dos tecidos, e o incremento da drenagem linfática e do fluxo venoso.

O treinamento de força também desempenha um papel crucial na recuperação da funcionalidade muscular, que frequentemente é prejudicada em mulheres com lipedema.

Diferentes estudos, incluindo uma análise de 2017, conduzida por pesquisadores holandeses revelaram que as mulheres com lipedema apresentam uma redução significativa da força muscular, particularmente nos quadríceps, com perdas de até 30% em comparação com aquelas com obesidade.

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Esse enfraquecimento muscular contribui diretamente para a limitação da mobilidade e da capacidade funcional, dificultando a realização de atividades cotidianas e impactando negativamente a qualidade de vida.

Portanto, o fortalecimento muscular também emerge como um componente essencial no tratamento, uma vez que contribui para melhorar as funções, reduzindo a dor e promovendo maior independência.

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Os avanços recentes nos estudos sobre o lipedema sugerem que a melhor abordagem terapêutica deve ser multifacetada, combinando intervenções não medicamentosas — como a atividade física personalizada — com tratamentos farmacológicos, como a drenagem linfática e a terapia compressiva.

Além disso, a colaboração de especialistas de diferentes áreas, como cirurgiões vasculares, nutricionistas e fisioterapeutas é essencial, uma vez que a abordagem integrada pode ser particularmente eficaz. Enquanto o exercício físico melhora a força muscular, a mobilidade e o metabolismo celular, as demais terapias podem ajudar no controle dos sintomas mais intensos, como dor e retenção de líquidos.

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O lipedema continua sendo uma condição crônica pouco compreendida, que demanda uma abordagem clínica mais aprofundada e informada. À medida que aumenta a conscientização sobre a doença e os avanços no tratamento multidisciplinar, fica claro que o exercício físico desempenha um papel crucial não apenas no alívio dos sintomas, mas também na reabilitação funcional.

Como médico, entendo que toda a classe deve compreender a complexidade da doença e aplicar os recentes avanços científicos a fim de proporcionar diagnósticos mais precisos, longevidade e manutenção da qualidade de vida das nossas pacientes.

*Vitor Gornati é membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, graduado e doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-graduação em Harvard.

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