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Inteligência artificial na saúde: ganhos ou perdas?

Novo universo envolve, essencialmente, uma mudança cultural

Por Durval Ribas Filho, nutrólogo*
Atualizado em 15 dez 2024, 09h08 - Publicado em 15 dez 2024, 08h57
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Tecnologias à base de IA estão transformando a saúde  (Freepik/Reprodução)
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Assim como em quase tudo no mundo, a polaridade na saúde é latente. Os extremos chamam a atenção e nos conduzem a muitas reflexões. Enquanto há hospitais que disponibilizam atendimento de alta qualidade, há dezenas de macas espalhadas pelos corredores de vários serviços públicos.

Os laboratórios se empenham em desenvolver medicamentos, cada vez mais eficazes. E, no paralelo, existem quadrilhas que se esmeram em aprimorar as falsificações, colocando em risco vidas humanas.

Há a negação das vacinas, que nos tem levado a retrocessos na prevenção de várias doenças, como o sarampo. Mas é um cenário que começa a se reverter. O Brasil retomou, em novembro deste ano, a certificação de país livre do sarampo, rubéola e síndrome da rubéola congênita (SRC), que tinha sido perdida, em 2019, devido a surtos e baixa cobertura vacinal.

Ao dirigirmos a atenção para doenças crônicas, como a obesidade, vivenciamos mais dois contrapontos: uma escala crescente de indivíduos acima do peso, no mundo, e a desnutrição que ainda mata milhares de crianças, enquanto toneladas de alimentos são desperdiçadas e milhões de pessoas passam fome.

Na saúde brasileira constatamos muitos destes aspectos, mas não podemos negar que 2024 foi o ano em que o uso da inteligência artificial (IA) na Medicina ganhou holofotes nas conversas entre profissionais, nas ofertas de cursos de especialização e em ferramentas para análise de dados que podem contribuir para um passo à frente em diagnósticos mais precisos e antecipados.

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Neste universo, nos deparamos com outro extremo: a tecnologia pode tornar a medicina mais fria e o médico mais distante do paciente? A humanização no tratamento, defendida nos últimos anos, pode se perder? A fragilidade nesta relação precisa ser olhada e avaliada com bastante critério: o que se ganha e o que se perde.

O desafio é equilibrar o que há de melhor na tecnologia, sem deixar para segundo plano a relação médico-paciente. Este elo de confiança muitas vezes é o fiel da balança em doenças de alta complexidade, em que se precisa de estímulo e segurança para acreditar em tratamentos, extremamente desgastantes.

A inteligência artificial abre espaço para uma inimaginável manipulação de dados, com uma menor chance de erros na análise das informações, mesmo à distância, que pode ser crucial na prevenção de doenças e salvar muitas vidas. Os cuidados individualizados são de suma importância para o sucesso de tratamentos mais complexos, na estrutura de apoio e recuperação do paciente.

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Mas ainda há outras questões. A regulação, a própria segurança dos dados e sua incorporação aos atuais processos médicos, muitos ainda extremamente deficitários, em estruturas básicas. Como vislumbrar o uso da IA, num cenário onde há hospitais sem profissionais, sem leitos, sem um simples analgésico?

É também essencial se pensar na ética na implementação de todas as ferramentas de IA, na formação e atualização dos profissionais, no engajamento de equipes multidisciplinares e na definição de caminhos estratégicos.

É um novo universo que envolve, essencialmente, uma mudança cultural que dê a largada numa trajetória que seja sustentável e sólida, e não cheia de atalhos sem propósitos definidos e claros. Saúde é sinônimo de bem-estar, mas acima de tudo de cuidados com vidas humanas.

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*Durval Ribas Filho é médico nutrólogo, fellow da The Obesity Society (TOS) e Presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran)

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