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Boca Livre

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Esse é o blog de Patricia Julianelli, jornalista especialista em nutrição, esporte e qualidade de vida, além de apaixonada por comida e corrida de rua. Ela é autora do livro "Boca Livre - Comida e Boa Forma com Prazer e sem Neura" e apresentadora do quadro "Saúde em Movimento", da rádio CBN

Retorno de lesão: o mais árduo dos exercícios

Que sandálias que nada, são as muletas que nos dão aquela lição de humildade

Por Patricia Julianelli
Atualizado em 11 dez 2024, 10h35 - Publicado em 7 dez 2024, 08h41
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Preparação física e mental são essenciais para superar a distância (jcomp/Freepik)
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Você já se machucou? Eu já, algumas vezes. Mas se machucar aos 20 é diferente de se machucar aos 40. O abalo na relação costuma ser bem maior. E não falo aqui de questões amorosas.

A corrida está na minha vida há mais de 15 anos. É meu relacionamento mais longevo e sigo contando. Mas, claro, repleto de altos e baixos, de conquistas e provações. Em dois momentos, fui obrigada a dar um tempo. Parei completamente de correr.

Há quatro anos, fraturei o calcâneo. Logo depois do meu maior longão para a estreia na meia maratona. Fiz 18 km e terminei sorrindo. Poderia ter feito ali mesmo meus primeiros 21 km, mas não fiz. E terminei saltando de cômodo em cômodo pela casa, de muletas. Por 45 intermináveis dias.

A lesão mais recente foi uma tendinite na fascia lata (tecido conjuntivo) do quadril esquerdo e no glúteo médio direito. Ali eu entendi que a região do quadril é usada para todo e qualquer movimento humano. Espirrou, usou.

Brincadeiras a parte, nada era permitido: correr, pedalar, fortalecer, caminhar. Foram 60 dias completamente parada. “Bike estática? Você pode tentar, mas vai mexer no quadril”. Tentei. Doeu. “Caminhada, só se for bem lenta…” Apertei um pouco o passo. Doeu.

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E aí o bicho pega. Aos 20 anos, depois de um tempo off, é só retomar que volta tudo rapidinho. Depois dos 40, a coisa não é bem assim…

É dureza. “O ideal seria rever a alimentação.” “Como você não precisa mais de tanta energia, podemos reduzir a quantidade de carboidrato, especialmente à noite. Vamos caprichar nas fontes de proteína – para ajudar a manter a musculatura – e dar uma bela segurada nos doces, combinado?”, diria a nutricionista bem-intencionada.

“Claro, nutri querida, para você é fácil propor isso. Você que está com os treinos e endorfina em dia, que já começa o dia de bem com a vida, né?”

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Claro, esse seria o diálogo na minha cabeça. Na consulta, eu simplesmente concordaria. Até porque ela tem razão. Mas na prática é tão complicado… Justamente porque não estou correndo todo dia é que preciso de recompensa, de dopamina, de prazer. E quer fonte mais deliciosa que um chocolatinho?

“O lance é tentar equilibrar”. Fazer o melhor pra não surtar. Buscar fontes alternativas de prazer. Talvez ocupar aquele horário que era do esporte com meditação, música, leitura, tempo de qualidade com o filho. Só não vale usar o tempo ocioso para trabalhar ainda mais. Sai pra lá, cultura da produtividade máxima!

“Não deu pra fazer a prova por causa da lesão? Vá para a rua e torça pelos corredores!”, diria o amigo bem-intencionado. “Pode deixar, vou dormir bem cedo no sábado e madrugar no domingo para torcer por gente que nunca vi na vida!”.

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Claro, esse seria o diálogo na minha cabeça. Com meu amigo, eu simplesmente concordaria. E, depois, me sentiria uma pessoa menos evoluída por não ter ido.

Como deu para ver com esse texto, uma coisa não dá para negar: ficar parado é um convite à reflexão. Vale refazer mentalmente o caminho que levou à lesão. Conversar com o treinador, o ortopedista, o fisioterapeuta, os amigos corredores. Ler, pesquisar, ouvir.

Isso porque lesões são um bicho complicado e multifatorial. Muitas vezes o gatilho é algo inesperado, como uma deficiência nutricional, por exemplo.

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Há dois meses, eu faço uma espécie de readaptação ao movimento, com exercícios que minha mãe faria sem derramar uma gota de suor. Se ficar parada é um exercício de paciência, o retorno é um exercício de humildade.

Nessa volta, é ingrata a comparação com a pessoa que você era antes. Foque no presente e nas pequenas conquistas. Guarde as metas de desempenho para outro momento.

Eis que chega o grande dia: você consegue correr (ou pedalar, nadar) sem dor. Zero, nenhum sinal. Mas que sensação! E aí você começa a colocar as manguinhas de fora, a testar o corpo, desafiar os limites novamente.

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De repente, se pega triste de novo por não ter batido seu recorde pessoal na prova, deixa de correr porque o relógio inteligente está sem bateria, inveja o corpão da vizinha do Instagram. Aí é o momento de lembrar da pausa por causa da lesão. E simplesmente agradecer por poder colocar o corpo em movimento.

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