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A jornalista Ingrid Luisa discute temas quentes sobre autoestima, estética e dermatologia. Confira resenhas de produtos, tendências e esclarecimentos sobre polêmicas envolvendo o mundo da beleza.

5 tendências vindas do maior congresso de estética do mundo

Novos aparelhos, aplicação da própria gordura no rosto, volta ao natural... confira o que está em alta no universo da beleza em 2025

Por Ingrid Luisa
Atualizado em 18 fev 2025, 12h14 - Publicado em 13 fev 2025, 17h00
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Saiba quais procedimentos vão bombar em 2025! (Veja Saúde/SAÚDE é Vital)
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Todo ano, as pessoas que amam estética focam suas atenções em um evento: o IMCAS, International Master Course on Aging Science, maior congresso mundial sobre o tema, que acontece em Paris.

Ele é um dos poucos eventos científicos no mundo que reúne médicos dermatologistas, cirurgiões plásticos e outros profissionais da medicina estética para analisar os últimos avanços em procedimentos, tecnologias, ativos e tudo que promete deixar a pele mais bonita e saudável, claro.

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Em 2025, o congresso aconteceu no final de janeiro. Com a ajuda de algumas fontes, separei os 5 temas mais comentados e no que apostar. Entre eles, o uso de terapias regenerativas, inclusive uma à base de esperma de salmão, a volta da beleza natural e um novo de aparelho de radiofrequência coreano.

1. Menos é mais: uma ode a beleza natural

Demi Moore, Nicole Kidman, Lindsey Lohan, todas apareceram anos mais jovens por uma razão: retirada de excesso de preenchimentos.

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Demi Moore em 2020 e 2024. Retirada de ácido hialurônico em excesso remodelou as feições da atriz. (Divulgação/Veja Saúde)

Por anos, as transformações proporcionadas pelo  ácido hialurônico, conhecidas como harmonização facil, seduziram muitas pessoas. Mas depois começaram a crescer as reclamações de insatisfação pós-procedimento.

Até porque, com um maior uso, foi se descobrindo muito mais sobre essa substância. Por exemplo, a ideia que o ácido hialurônico dura apenas um ou dois anos na pele parece não proceder.

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“Houve um caso nos Estados Unidos em que 20 mil da substância foram encontrados numa paciente 20 anos depois de ela ter feito uso de preenchedores, e teoricamente esses produtos já deveriam ter sido absorvidos há muito tempo”, conta a médica dermatologista Claudia Marçal, que frequenta o IMCAS há cerca de uma década.

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Isso não seria ruim se o produto permanecesse no lugar certo. O problema é que, muitas vezes, o preenchedor migra para outras regiões da face, formando volumes indesejados.

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Lindsay Lohan chocou a internet ao surgir em 2024 com uma aparência muito mais jovem. Acredita-se que ela também retirou restos de preenchimentos indesejados (Reprodução Instagram/Veja Saúde)

A dermatologista Cíntia Martins, que também esteve no IMCAS deste ano, explica que muita gente que fez harmonização está tirando o produto porque o rosto foi inchando e ficando cada vez mais flácido. “Por mais que o ácido hialurônico promova muita hidratação, ele não é capaz de dar firmeza a pele”, complementa.

“Um grande mote do congresso foi: fazer pouco preenchimento, só em pontos estratégicos, e caprichar nos aparelhos, lasers, tecnologias. Essa, com certeza, é uma das maiores tendências”, revela Cíntia.

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2. Radiofrequência Monopolar: a queridinha do momento

A radiofrequência monopolar é uma nova tecnologia vinda diretamente da Coreia do Sul, que atraiu muita atenção no evento.

Talvez você já tenha ouvido falar em Volnewmer, Oligio X ou Coolfase, e todos são marcas dessa mesma tecnologia.

Vendida como o “segredo da pele das coreanas”, ela é capaz de aquecer a derme de forma controlada e sem machucar a epiderme, por meio de um sistema de resfriamento interno.

Isso gera estímulo da produção de colágeno, melhora de linhas finas que costumam craquelar (“desamassando” o rosto), e redensificação cutânea, promovendo mais espessura, qualidade e firmeza da pele.

Tudo com volta imediata à rotina normal (sem tempo de recuperação) ou dor. Ou seja, a pele não fica vermelha nem gera nenhum incômodo.

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O Volnewmer foi uma dos primeiros aparelhos de radiofrequência monopolar a chegar ao Brasil. (Volnewmer Medsystems/Reprodução)

É um bioestimulador de colágeno tecnológico”, resume Claudia. “Além disso, utilizando inteligência artificial, esse aparelho consegue averiguar, de uma maneira personalizada, a profundidade que se precisa atingir aquela pele e qual é a quantidade de energia necessária para fazer a proliferação das fibras de colágeno e elastina, essenciais para restaurar a estrutura”, ressalta a dermatologista.

A tecnologia é muito indicada para rostos e peles finas, que costumam enrugar mais, porém pode ser positiva para todo tipo de pele.

Outro ponto interessante é que ela também está sendo frequentemente usado no terço superior do rosto, para ajudar a abrir o olhar: “Além de ser ótimo para flacidez de pálpebras, ele funciona bem sob a sobrancelha e na testa”, explica Cíntia.

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3. Exossomos, PRP e outras terapias biológicas para regenerar a pele

O intuito aqui é usar terapias biológicas para melhorar a densidade cutânea e estimular as tão almejadas fibras colágenas. Para isso, diversas técnicas e moléculas estão sendo testadas.

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Plenárias do IMCAS abordaram temas como exossomos, pdrn, plasma rico em plaquetas e inserção da própria gordura.

Saiba o que já se tem sobre cada um, mas tenha em mente que a eficácia e segurança de tudo ainda não foi 100% comprovado:

Exossomos

Exossomos são nanovesículas secretadas por várias células do corpo. Nelas, há substâncias biologicamente ativas, como proteínas, fragmentos de DNA, RNA, fatores de transcrição e metabólitos. Essas vesículas são essenciais na comunicação entre algumas células, informando o que ela deve fazer/produzir.

A lógica de usar exossomos na dermatologia é fazer com que essas vesículas estimulem produção de colágeno e outras proteínas benéficas a pele.

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Veja como os exossomos funcionam! (Quadro: Editoria de arte/Veja Saúde/Veja Saúde)
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Atualmente, há exossomos derivados de plantas ou de células humanas, como as da placenta ou cordão umbilical. Já se usam essas moléculas em cosméticos, drug delivery (aplicação de líquido com medicamentos diretamente na pele) ou injetáveis, mas no Brasil só são permitidas as derivadas de plantas e nas duas primeiras abordagens.

“Após um procedimento como a radiofrequência microagulhada robótica, que promove finas perfurações no rosto, fazer um drug delivery posterior com exossomos pode ajudar no estímulo de colágeno”, afirma Claudia.

Eles também prometem ser aliados no combate à acne e na estimulação de folículos capilares.

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Mas a utilização dessas vesículas de forma injetável, como já ocorre em países como a Coreia do Sul, ainda deve demorar para desembarcar por aqui.

Isso porque faltam técnicas padronizadas para um isolamento exclusivo dessas vesículas, sem a presença de outros componentes das células, além de ainda não haver garantia que eles só vão comunicar exatamente o que se quer (no caso, a produção de colágeno).

“Exossomos são como uma carta, e nem toda carta manda notícias boas. Existem exossomos de células ruins, que podem estar contaminados, e, como ainda não há uma normativa para isso, a Anvisa proibiu a aplicação injetável”, explica Cíntia.

“No congresso, tiveram palestras mostrando casos de pessoas que injetaram nos Estados Unidos e a tiveram várias reações na  pele, então é uma grande promessa, mas precisamos de mais estudos”, pondera a dermatologista.

PDRN e PRP 

Os polidesoxirribonucleotídeos (PDRN) são fragmentos de DNA retirados do esperma de salmão. Sim, você lêu certo. Estudos apontam que esses fragmentos são ricos em instruções que estimulam replicação celular, melhora cicatricial e até efeito anti-inflamatório.

“É como se fosse um estimulador de colágeno que ainda desinflama”, traduz Cíntia.

Seu uso nos cuidados com a pele deslanchou primeiro, claro, na Coreia do Sul, mas já chegou ao Brasil. A dermage foi a primeira marca nacional a lançar um produto com o ativo.

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Primeiro sérum com pdrn tópico lançado no Brasil. (Dermage/Reprodução)

Ainda faltam, contudo, estudos robustos que comprovem sua eficácia.

Esse é o mesmo caso do plasma rico em plaquetas (PRP), tratamento que aplica plaquetas do próprio paciente para, teoricamente, acelerar o processo de recuperação e regeneração celular.

O uso do PRP em países como Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul já é comum, mas por aqui apenas é considerado experimental pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Ou seja, só pode ser feito em pesquisas.

Novos procedimentos na tricologia, para estimular o nascimento de cabelo em áreas antes com calvície, utilizam este ativo.

Segundo a Anvisa, há denúncias sobre o uso dessa substância em procedimentos que não possuem garantia de eficácia e segurança, o que pode ser perigoso, pois, como o PRP é derivado do sangue, é uma via de transmissão de agentes infecciosos graves como o HIV e o vírus da hepatite.

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Inserção da própria gordura no rosto

O conceito não é tão novo, mas a técnica se aprimorou bastante. Antigamente, a gordura era apenas retirada do paciente e reaplicada na face, o que era mais perigoso e gerava resultados menos satisfatórios.

Agora, existem formas de processar e refinar o tamanho da molécula, fazendo preenchimentos mais assertivos. E há mais um pulo do gato nessa história:

“Há uma tendência de extrair da gordura do paciente um concentrado de células-tronco para injetar em áreas do rosto e estimular melhora de pele. É o procedimento do futuro, e foi o mais comentado no congresso”, afirma Cíntia.

A médica explica que os benefícios ocorrem porque essas células podem originar outras células, como folículos capilares ou fibroblastos, assim melhorando densificação de cabelo, produção de colágeno, combate a flacidez…

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A técnica, chamada de nanofat grafting, ganhou as redes sociais por aqui após a influenciadora Gabriela Morais (ex-Pugliesi) realizá-la.

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A influenciado Gabriela Morais mostrou a recuperação do seu rosto nas redes sociais após injetar células-tronco vindas de gordura (Reprodução Instagram/Divulgação)

O procedimento é contraindicado para pessoas com infecções na face, problemas de coagulação sanguínea e doenças autoimunes.

4. Saúde e aparência da pele após grandes perdas de peso

O uso de medicações anti-obesidade, como Ozempic, WeGovy e Mounjaro tem crescido vertiginosamente, e há previsão de que esse marcado chegue a arrecadar US$100 bilhões em vendas até 2030. Mas, como fica a pele do rosto de uma pessoa que perde 20 quilos em dois meses?

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“Os pacientes se queixavam de uma perda de viço da pele, o que conferia um aspecto, às vezes, até 5 anos mais velho após o emagrecimento”, afirma o cirurgião plástico Fabio Saito, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP)

Foi pensando nisso que a Galderma desenvolveu uma pesquisa e fez uma apresentação no IMCAS sobre o tema.

A empresa entrevistou mais de 1 mil homens e mulheres, com idades entre 25 e 65 anos, que utilizam análogos de GLP-1 nos Estados Unidos, Brasil, Europa e Oriente Médio. Eles queriam compreender o impacto anatômico e estético na pele do uso desses medicamentos.

Alguns highlights da pesquisa:

  • 48% dos entrevistados relatou mudanças faciais significativas devido ao tratamento para perda de peso;
  • 45% sentiram as mudanças faciais aparecendo entre 3 e 6 meses após o início do tratamento, e 28% entre 1 e 2 meses;
  • 60% dos que já faziam tratamentos estéticos buscaram intervenções para lidar com esses efeitos;
  • 33% dos que consideram essas intervenções teriam tomado medidas preventivas se soubessem dos efeitos na pele antes de iniciar o processo de emagrecimento.
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“Rosto de Ozempic” foi o nome dado a esse efeito colateral das medicações. (./Veja Saúde)

Outra queixa bem relevante que o médico destacou foi uma perda de reflexo da saúde: os pacientes sentiam, no aspecto físico, que eles estavam com uma aparência menos saudável.

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Nesses casos, vale lançar mão de injetáveis como bioestimuladores de colágeno e ácido hialurônico.

“O ácido hialurônico ajuda a fazer pontos de estruturação óssea e devolver aspectos indispensáveis para uma aparência saudável”, explica o médico.

Claudia acrescenta que tecnologias e lasers também são aliados. “Lembrando que não adianta procurar um acompanhamento após perder 20 quilos, é preciso que os tratamentos sejam feitos concomitantes a perda de peso”, acrescenta a dermatologista que assistiu plenárias sobre o tema no IMCAS.

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5. Autoimagem: diferentes percepções

Num mundo em que os procedimentos estéticos estão mais acessíveis do que nunca (apesar de ainda caros), muita gente tem mudado sua percepção de beleza.

Um dia antes do IMCAS 2025, a Merz Aesthetics lançou o estudo global Pilares da Confiança, tentando mapear o perfil atual desses consumidores.

A pesquisa, realizada em parceria com a Ipsos, entrevistou 15 mil adultos entre 21 a 75 anos de 15 países, que já fizeram um tratamento estético ou estão abertos a fazer no futuro. E os dados surpreenderam: a grande maioria atestou lidar bem com sua autoestima:

  • 81% concordam com a afirmação: “Estou confiante em quem sou“;
  • 69% disseram que procuram tratamentos estéticos para refletir como se sentem por dentro;
  • 70% disseram que os tratamentos estéticos têm impacto em como eles se veem;
  • 86% se sentem satisfeitos após um procedimento estético;
  • 65% consideram procedimentos estéticos para manejar o envelhecimento;
  • 57% desejam parecer mais jovens.

“Hoje, tratamentos estéticos são tópicos de conversas, de discussões nos ambientes onde as pessoas estão, você fala com os amigos sobre, pergunta o que o outro jé fez, se gostou, qual foi o médico, e essa troca de informações facilita o acesso e a busca”, comenta a médica dermatologista Andrea Bannach, gerente médica da Merz.

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Só que esse interesse todo pode ter um lado negativo. A farmacêutica Patrícia França, que esteve no congresso representando a marca BIOTEC, relatou que houveram plenárias sobre o fenômeno da cosmeticorexia, um novo problema em voga entre o público jovem.

É uma espécie de anorexia pelo uso e desejo abusivo por cosméticos, para se atingir o padrão de beleza vendido na internet, explica Patrícia.

Os mais afetados são os jovens, numa faixa etária de 8 a 17 anos. “Nas mídias sociais, mais especificamente do TikTok, eles vão olhando os produtos cosméticos ofertados e querem ficar igual ao influenciador que está divulgando aquele produto. É uma nova faceta do transtorno dismórfico corporal, porque eles tendem a brigar com a autoimagem e se enxergar piores do que são”, conta Patrícia.

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Claudia comenta que também vê isso em seu consultório: jovens sendo influenciado a fazerem procedimentos desnecessários e até contraindicados. 

“Meninas de 18 anos querendo fazer botox preventivo, ou usar retinol na área dos olhos, quando elas definitivamente não precisam disso”, conta a dermatologista.

“Isso é perigoso, toda intervenção na dermatologia precisa ser personalizada e fazer sentido. Cabe aos médicos alertarem para que crianças não caiam no que é propagado pela internet”, pondera a médica.

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